A homossexualidade sempre foi um
assunto muito abordado, debatido, estudado entre as pessoas, tratado como uma
questão polêmica. É o impulso natural que impulsiona os seres vivos na busca de
uma pessoa do mesmo sexo no qual ainda é dificilmente entendido, aceito,
compreendido entre a sociedade. Sente atração física, estética ou emocional. O
termo continua gerando discussões, não sendo aceito por maioria da população. A
sociedade mostra algo polêmico, no qual já deveria estar em transição, mudança,
ou seja, uma regressão a um comportamento pré-histórico em muitos assuntos e
não uma evolução nos conceitos humanos.
— Muitas vezes, saímos para conhecer lugares diferentes, não somente do local onde moramos, mas também de outros ambientes distintos do Brasil e do mundo, disse Josimar. Eles fizeram com que eu tomasse gosto pelos conhecimentos artísticos e me apresentaram locais conceituados e exuberantes que possuíam atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas, com o objetivo de estimular interesse, sentimentos, lembranças no espectador. Gostam de fazer com que eu tenha tudo o que eles não puderam ter durante suas infâncias e adolescências além de conhecer lugares que também não tiveram oportunidade de conhecerem durante o desenvolvimento vivencial, pois ambos vêm de famílias muito humildes, moraram em ambientes dominados pela violência. Mas nunca desistiram de batalhar pelos seus ideais, mesmo passando grandes necessidades, e também de concretizarem seus sonhos. Construíram seus mundos a base de muito trabalho, esforço. Passaram inúmeros tipos de dificuldades como fome, terem sido violentados, obrigados a trabalharem desde o início de sua infância para sustentarem seus familiares contava o menino com os olhos encharcados de lágrimas devido a grande comoção da história. Mesmo não sendo ricos atualmente, eles fizeram o possível e impossível para não deixarem nada faltar em nossas vidas. Notei que, todas as vezes que venho à escola, as pessoas começam me olhar de uma maneira diferente, preconceituosa além de fazerem comentários maldosos, deturpam toda a realidade, agem com má fé e uma péssima índole sobre o fato de meu pai ou meu padrasto, Pepe, me trazerem. Já ouvi muitos pais de alunos fazerem diversas perguntas maliciosas, difamadores, inescrupulosas como:
Muitos recusam aquilo que é diferente
ou difícil de ser compreendido. Tratam muitos adeptos da homoafetividade como
pessoas com algum tipo de mórbido transtorno psiquiátrico, ou seja, um doente
mental no qual podem denigrir a sociedade com seu comportamento além de
transmitir inúmeros tipos de doenças interligadas aos homossexuais.
Muitos também associam o assunto a
problemas relacionados, ligados a falta de religiosidade em sua vida. Fazem com
que acreditem que a culpa do indivíduo ser homossexual é ligada ao fato de não
frequentarem locais religiosos, não serem adeptos a nenhum tipo de
religiosidade.
Foi durante o período das aulas que
esta história começou a acontecer e mudou toda a vida de um estudante
pré-adolescente e um professor, considerado por muitos, como um dos maiores
mentores, transmissores de conhecimento do local de educação onde ambos
frequentavam como educando e educador, ou seja, aprendiz e mentor.
Todo começo de ano havia um aumento na
correria no campo educacional, não somente dos funcionários escolares, mas
também dos pais dos alunos. Tais aumentos desproporcionais de trabalho de ambas
as partes tinham como principais explicações o desejo de uma melhoria na
transmissão de conhecimentos, um maior interesse dos estudantes relacionados
aos métodos educacionais transmitidos também de evitar o aumento descomunal que
vinha acontecendo há algum tempo da defasagem estudantil.
Realização das inúmeras matrículas e
transferências educacionais, elaboração dos planos, métodos escolares mais
apropriados para o ensino, compra de materiais escolares estipulados pela
escola, apresentação de fotos entre os alunos mostrando sua família e os locais
visitados durante as férias.
Muitos enfrentavam inúmeros tipos de
desprazeres pessoais que se transformavam em desgostos privativos e geravam
sobrenumeráveis tipos de reflexos negativos que envolviam dificuldades
comportamentais, de se relacionarem dentro do ambiente de aprendizagem não
apenas com o próprio professor, mas também com amigos, terríveis problemas para
assimilar o conhecimento passado pelo educador durante as aulas, transtornos,
fatores orgânicos e até mesmo emocionais, sociais e familiares.
Muitos criavam um mundo próprio e se
isolavam dentro dele, não permitindo ser incomodados por nenhum elemento que
fizesse parte da sociedade. Outros faziam com que seus incontáveis problemas,
frustrações refletissem através da parte emocional. Tornavam-se agressivos e
utilizavam a violência, agressividade, como principal arma para descarregar
todas as dificuldades enfrentadas em suas vidas. Muitos eram comparados a
verdadeiros ditadores que utilizavam métodos rústicos, violentos e bestiais
para transmitirem todo seu constrangimento sofrido diariamente e fazerem as
pessoas sofrerem. Suas vidas não evoluíam e sim se encontravam sempre em fases
retrógradas, ou seja, nunca progrediam e sim regrediam em seus caminhos de vida
diários.
Valdecir era professor de Filosofia e
Sociologia do ensino médio de uma pequena e humilde escola de uma cidade do
interior do país. Apesar de ter uma aparência séria, sisuda fora da sala de
aula, os alunos o admiravam pela maneira diferente, extrovertida como ensinava,
e da excelente didática pedagógica.
Um simples professor deixou de ser
apenas um mentor, mas se transformou em um grande amigo. Durante sua aula, para
conhecer melhor o comportamento familiar, educacional, ou seja, social dos
alunos, o educador pediu para cada um deles escreverem uma redação contando
mais sobre a história diária, quais suas principais atividades, como era o
relacionamento com a família e amigos.
Dentro da classe ele se transformava.
Deixava de lado aquele aspecto de um homem bronco, bravo e passava a ensinar
com grande contentamento, espontaneidade e desenvoltura. Os alunos
reverenciavam, idolatravam, adoravam aquele professor além de seus inúmeros e
diferentes métodos educativos utilizados para transmitir todo seu conhecimento
e facilitar o ensino das suas duas disciplinas e evitar a dificuldade de
aprendizagem que muitos ainda enfrentavam. Muitas das maneiras utilizadas por
ele para lecionar não eram empregadas pelos demais professores. Ele brincava,
montava diferentes peças teatrais, chamava os alunos na frente e os utilizavam
como exemplos. Saía por múltiplos lugares com os alunos e criava vídeos entre
outros artifícios para conquistar os alunos e os ajudarem a compreender melhor
o que estava sendo explicado.
Durante as aulas, Valdecir notou um
diferente comportamento em um dos muitos alunos da classe chamado Josimar. Sua
aparência física era de um rapaz alto, cabelos encaracolados e negros, pele
imitando a coloração de suas madeixas, olhos que lembravam a cor do mel, corpo
atlético definido pela intensa prática de esportes.
Tinha uma boa aparência e causava
suspiros, não somente entre suas amigas que estudavam na mesma classe que o
adolescente, mas também entre todas as demais garotas da escola onde estudava.
Muitas comparavam sua aparência a de um deus grego, esculpido delicadamente nos
mínimos detalhes.
O professor era alguém muito
detalhista, reparava nos mínimos detalhes, quando o assunto debatido era
comportamento educacional dentro do ambiente escolar principalmente se envolvia
com a dificuldade de aprendizagem dos seus alunos. Ao olhar e analisar mais
profundamente e detalhadamente, de uma forma mais específica e detalhada o
estilo comportamental de Josimar, o professor chegou à conclusão que o
adolescente era afetado mais especificamente pela sua demasia cota de
características negativas. Ele se mostrava um rapaz triste, retraído, tímido e
também mostrava um jeito meio estressado em alguns momentos, com algumas coisas
e pessoas. Não conversava com quase ninguém, ficava sozinho, isolado de todos
que estavam mais próximos a ele. Seu olhar era totalmente distante da
realidade. Ele mais parecia um personagem moribundo de histórias infantis,
vivendo em um mundo encantado e de ilusões.
Josimar mostrava ser também muito
distraído, introvertido, disperso não somente durante os momentos das aulas,
mas também das coisas e da realidade ao seu redor. Ele ainda encontrava
inúmeras dificuldades quando o assunto era a maneira de aprendizagem do
conteúdo educacional transmitido.
Muitos tinham em mente o fato que ele
enfrentava problemas relacionados a algum transtorno educacional, um tipo de
déficit de atenção.
Ninguém entendia o que acontecia com
aquele rapaz que transparecia uma imagem tão carente, triste, requisitando mais
afeto, carinho, amor. Muitos acreditavam que o motivo de toda esta conduta era
o fato dele ser alienado, pois nunca ninguém procurou se aproximar dele para se
tornar seu amigo, para descobrir o que estava acontecendo e quais os motivos o
levaram a ter aquele procedimento tão diferente, estranho. Tinham medo que ele
pudesse cometer algum tipo métodos de insanidade ou violentar alguém que se
aproximasse.
Muitos professores, durante as reuniões
pedagógicas, decidiram debater como um de seus fundamentais argumentos o
comportamento diferenciado relacionado ao adolescente dentro do ambiente
educacional. Saber mais especificamente, detalhadamente quais os principais
problemas diários que levavam o estudante a ter um comportamento tão
diferenciado e, muitas vezes, ser discriminado, enfrentar vários tipos de
preconceitos relacionados a sua maneira de agir na qual ninguém jamais procurou
entender mais profundamente.
Mas apesar de tudo isso havia apenas
uma única pessoa na qual o rapaz deixava se aproximar para conversar. Ele a
considerava como sua melhor amiga, pois sentia nela uma grande segurança
durante suas incontáveis trocas de palavras e desabafos mais íntimos. Seu nome
era Josefina, mas todos preferiam chama-la pelo seu carinhoso apelido de Zezé.
Era uma linda, esfuziante mulata. Sua pele lembrava a estonteante cor do
bronze, da esfuziante noite em lua minguante. Era alta, tinha cabelos
encaracolados no estilo afro. Seus olhar era sereno e enigmático e a coloração de
seus olhos eram tão verdes que muitos diziam que lembravam a tonalidade das
águas do mar.
Josimar e Zezé eram amigos desde a
infância e continuaram a amizade após a separação de seus pais. Ele contava a
ela tudo o que acontecia em sua vida e os principais desgostos pessoais que
vinha enfrentando diariamente. Dificuldades, alegrias, tristezas, desavenças,
grandes amores e desamores, frustrações. Tudo era motivo de longas conversas e
inteligentes conselhos. Um opinava na vida do outro e nunca enfrentaram nenhum
tipo de controvérsias, desavenças sobre as coisas que estavam sendo discutidas,
sobre a vida cotidiana de ambos os lados. Suas amizades, afetos e considerações
eram tão grandes que muitos acreditavam que aqueles dois amigos tinham uma
relação mais profunda, intima, ou seja, fossem namorados, tivessem um
relacionamento mais sério.
Mas apesar de toda essa proximidade,
Josimar escondia, mantinha um segredo guardado a sete chaves consigo mesmo no
qual nunca revelou a ninguém. Ele era apaixonado pela sua melhor amiga Zezé e
nunca declarou seu amor por ela com medo de não ser correspondido e também de
perder sua grande amizade de tantos anos.
Após terminar um extenso e cansativo
dia de trabalho conturbado o professor decidiu permanecer na sala de aula para
descansar além de estender algum tempo a mais de seu horário para preparar as
aulas e corrigir alguns trabalhos e provas dos alunos.
De repente notou que um de seus alunos,
Josimar, também não havia ido embora. Continuava cabisbaixo dentro da sala de
aula. O menino mostrava um olhar triste enquanto seus olhos lacrimejavam
compulsivamente, de uma maneira totalmente aleatória, ou seja, de uma maneira
casual. O professor, muito preocupado com seu pupilo, e também com os fatos que
estavam rondando de uma maneira casual a vida do rapaz, decidiu perguntar de
uma maneira sucinta, ou seja, objetiva e resumida além de instruída ao
melancólico aluno o que o deixava tão abatido, desmotivado, deprimido,
macambúzio, calado, ressentido, isolado dos demais colegas de classe:
— Por que você sempre se mostra tão
aborrecido, cabisbaixo, distante, isolado durante minhas aulas? Muitas vezes
você mostra um comportamento agressivo, rancoroso diante seus companheiros de
classe. Algum motivo em especial faz com que você tenha este tipo de
comportamento? Existe algo em seu cotidiano que o deixe aflito e constrangido?
Existe algo que o está incomodando e faça com que você mude sua conduta de uma
maneira tão drástica, rigorosa, radical?
Após ouvir calmamente as inúmeras
perguntas elaboradas inteligentemente naquele momento, ou seja, tudo o que foi
questionado pelo professor de um jeito criativo, Josimar respondeu polidamente
ao seu mentor no qual mantinha grande respeito e admiração:
— Sou filho único de uma relação
conjugal que não conseguiu prosperar, ou seja, sou fruto de pais divorciados,
entre outras palavras, separados. Quando nasci fui abandonado por meus pais
verdadeiros na porta de um casal que, segundo alguns exames médicos realizados
durante todo o desencadear da vida conjugal de ambos, não poderiam jamais ter
filhos. O casal que me criou, ambos enfrentaram incontáveis tipos de problemas
para poderem conseguir me adotar, tudo muito detalhado. O processo de adoção
parecia estar se tornando perpétuo, ou seja, nunca tinha fim. Muitos diziam
que, após descobrir o fato de ser um filho de criação e não biológico, eu
poderia me tornar revoltado, indignado.
Mantiveram uma relação matrimonial de
dez anos quando, após muitas idas e vindas, um relacionamento totalmente
instável, decidiram encerrar harmoniosamente a relação. Foi realizado um exame
mais meticuloso e através dele se constatou que o problema em não conseguir
possuir filhos genéticos era pelo fato do meu pai ter tido problemas de saúde
que iriam afetar para sempre sua vida em relação a não poderem ter
descendentes.
Mas após enfrentarem uma longa disputa
processual de adoção, isto é, conseguirem me tornar legalmente seu filho, meus
pais adotivos decidiram entrar em um súbito, repentino, inesperado acordo de
separação judicial litigiosa e se divorciaram, ou seja, romperam legalmente e
definitivamente o vínculo de casamento civil que tinham há aproximadamente dez
anos através de um pedido na justiça, pois há algum tempo enfrentavam inúmeros
tipos de desentendimentos, desavenças, divergências, contradições, desacordos.
Após o processo de separação, algo
parecia ter mudado na vida dos meus pais. Eles passaram a conviver de uma
maneira totalmente diferente, mais harmônica, calma, pacífica, coerente, cada
um possuía residência e vida própria. Denominaram os dias apropriados para cada
um ficar comigo. Quais seriam os dias estipulados pela lei de visita dos meus
pais em relação a minha pessoa. Cada um contribuía com um valor monetário
apropriado para manter um bom desenvolvimento em relação à minha vida.
Perto do fim do casamento, comecei a
perceber muitos tipos de transições, mudanças, transformações, modificações
constantes na vida cotidiana dos meus pais durante a longa convivência conjugal
de ambos. Eles que se tratavam de maneira ríspida, não conversavam mais
diariamente, evitavam trocar gestos que envolviam sentimentos. Repentinamente,
passaram a se tratarem melhor, conversarem mais detalhadamente sobre o
cotidiano da família, o que deveria ser feito para melhorar a vida do filho tão
querido e amado. Tais diálogos passaram a serem regrados de uma maneira mais
harmoniosa, inteligente, carinhosa e detalhada. Eles entravam em contato entre
si para decidirem um dia apropriado para debaterem os devidos assuntos que
envolviam a antiga família e o que poderia ser feito para resolver os diversos
tipos de problemas.
A união, intimidade diária deixou de
ser um relacionamento de casal, regrado de muitos tipos de gestos de
afetividade como beijos, carinhos e abraços. Tudo aquilo lembrava mais a
convivência entre dois grandes amigos de infância. Já não dormiam juntos como
faziam antigamente, na época que me adotaram e como era de costume, muito menos
sentiam qualquer tipo de atração um pelo outro. Mas apesar de tudo, respeitavam
o espaço e também os gostos alheios de uma maneira aleatória.
Todos os fatos que se desenrolaram,
desencadeou na vida do casal, desde minha adoção até o relacionamento, convívio
deles entre si e comigo, eram resolvidos através de inúmeras, longas conversas.
Não costumavam apelar para confrontos
corporais, pois ambos nunca necessitaram partir para violência para resolverem
seus conflitos, problemas constantes, diários devido ao fato de possuírem um
comportamento voltado a um estilo totalmente calmo. Preferiam discutir as
inúmeras dificuldades através de conversas pois faziam de tudo para não me
incitar a cometer atos de brutalidade e partir para o mundo da violência e
ignorância.
Algumas vezes, as rixas pareciam serem
perpétuas, duravam uma eternidade, eram prolongadas de diálogos que possuíam
inúmeras discussões, argumentações verbais, diferenciações nas mudanças de
ideias, criações de polêmicas, desentendimentos, contradições. Mas logo depois,
ambos reviam tudo procuravam se entenderem, discutiam de uma maneira coerente e
educada sobre todos os seus erros, desavenças e o que os levavam a entrarem em
conflito e se desculpavam de um jeito espontâneo e pediam cordialmente perdão
um ao outro.
Infidelidade, deslealdade, incapacidade
diária de ser fiel a uma única pessoa ou a seus valores, traições constantes
eram alguns dos motivos que os levavam a entrarem em desavenças, discórdias.
Meu pai era um indivíduo que sabia rever seus preceitos e conceitos, além de
expressar um estilo calmo, intelectual, articulado, maleável em suas palavras,
durante suas conversas com os diversos tipos de pessoas que costumava fazer
amizade. Seu círculo de amigos era formado de inúmeros tipos de pessoas, pois
não possuía nenhum tipo de preconceito além de conseguir conquistar facilmente
os indivíduos com quem conversava, mantinha relações de amizade com o jeito
extrovertido de dialogar. Ele sempre estava de bom-humor e parecia nunca ter
enfrentado nenhum tipo de melancolia em sua vida.
Seu semblante além do seu comportamento
diário, não somente comigo, mas com as outras pessoas, era de um homem mais
tranquilo, sereno. Características que não se identificavam as da minha mãe que
costumava praticar o ato da traição mais constantemente, regularmente, pois ela
alegava que não suportava conviver constantemente com o marido e que ele a
vinha traindo com outra pessoa na qual ela tinha consciência de quem era e
quanto tempo esta infidelidade, incapacidade de ser fiel vinha decorrendo,
procedendo.
Mas a traição não era voltada a uma
mulher e sim outro homem no qual era amigo do casal desde o início do
relacionamento. Tornou-se amante de meu pai no momento no qual ele se
encontrava, mostrava mais abatido, sorumbático, durante um fato fatídico na
vida dele, ou seja, o grande sofrimento relacionado à morte repentina,
inesperada do meu avô decorrente a um fatídico câncer. Muitas vezes eu o via
pelos cantos cabisbaixo, melancólico, deprimido. Parecia estar padecendo aos
poucos pelas incontáveis angústias, amarguras.
Estava sempre chorando compulsivamente,
incessantemente por não ter sido capaz de ter dedicado mais parte do seu tempo
e de sua atenção ao martírio, sofrimento de meu avô.
Em uma das discussões ouvi que foi
neste momento de maior necessidade que meu pai viu naquele amigo algo que nunca
tinha descoberto dentro de si, ou seja, conseguiu fazer emergir um indivíduo há
muito tempo submerso nas profundas águas da melancolia e solidão, no qual ele
tinha medo, receio das opiniões, preconceitos alheios e que gostava de estilos
de pessoas quase semelhantes aos que minha mãe sentia atração. Quando criança,
meu pai dizia que notava olhares diferentes das pessoas em relação ao comportamento
dele, sua maneira de se portar diante a sociedade.
O amigo do meu pai se transformou em um
confidente, um psicólogo e o ajudou a superar grande parte de seus problemas,
conflitos, crises matrimoniais e também de família com conselhos, palavras
inteligentes, sinceras e também muito amor, carinho, afeto, atos que eram
recíprocos.
Ele mudou seu comportamento desde o
início da nova amizade. Deixou de ser uma pessoa mais introspectiva, triste,
enfadonha, calada, depressiva e deu guinada a uma conduta totalmente diferente,
de uma pessoa com característica extrovertida, espontânea, calma, carinhosa,
carismática. Seu circulo de amizade ampliou, pois muitos queriam ficar mais
próximo a ele, rirem de seu jeito divertido e suas palavras e piadas.
Meu pai gostava de conversar com todos
do seu círculo de amizades. Passou a ajudar seus vários amigos, que enfrentavam
dificuldades no cotidiano, ouvindo de uma maneira muito atenciosa e orientava,
aconselhava também através de longos diálogos. Conseguiu dar uma guinada ao seu
estilo comportamental graças à experiência de vida e pelos métodos que seu
atual amor utilizou para o tirar da crise que passou.
Apresentou seu amigo à minha mãe e a
toda minha família como sendo uma pessoa no qual o conhecia desde os primórdios
de sua adolescência. Costumavam frequentar os mesmos ambientes, possuíam os
mesmos colegas em seu círculo de amizade, entre outros tipos de peculiaridades,
características próprias, privativas.
Moro atualmente com meu pai, pois, após
a separação, minha mãe decidiu casar novamente a abriu mão da guarda permanente
de minha adoção. Decidiu fazer com que meu pai assumisse minha tutela. Não
consigo conviver pacificamente com meu padrasto. Sou tratado muito mal e com
grande indiferença pelo segundo marido da minha mãe. Muitas vezes chegou a me
ameaçar querendo utilizar métodos violentos. O ciúmes doentio do atual marido
de minha mãe em relação a mim se deve ao fato de ambos terem enfrentado doenças
que causaram infertilidades irreversíveis. Mas meu pai ao descobrir tais
ameaças vindas do atual cônjuge maternal em relação a mim, teve uma conversa
séria com minha mãe e disse que entraria com um processo contra o concubino
dela caso houvesse ameaça ou incitação, encorajamento a algum tipo de
violência.
Eles poderiam partir também para o
processo de adoção, mas, meu padrasto, tinha em mente que filhos verdadeiros
são apenas gerados numa relação conjugal e não aquelas crianças vindas para
serem criadas de outras famílias. Minha mãe, após algum tempo casada, faleceu devido
à uma doença rara e sem cura que ela enfrentou. Ela descobriu já no final do
casamento com meu pai e escondeu de todos com medo que aquilo pudesse afetar o
meu estado emocional e de todos os familiares e amigos.
Foram descobrir sobre sua enfermidade alguns
meses antes de sua morte quando estava internada dentro de um leito hospitalar
em um estado lastimável. Já nos seus últimos dias de vida, decidiu deixar tudo
que conquistou para seu filho amado e que fosse utilizado para um melhor estilo
de vida e que ajudasse no seu processo de vida. O responsável pela tutela legal
de Josimar passou a ser Gigio. Ele seria responsável também em cuidar de toda a
herança, os bens materiais deixados por sua ex-esposa ao filho até Josimar
completar sua maioridade ou ser capaz de assumir tudo o que lhe foi deixado.
Após contar uma parte de sua história o
menino disse:
— Professor, gostaria que me
desculpasse por atrapalhar o senhor durante a realização de seu trabalho com
minha longa história de vida. Tenho medo de me abrir com as pessoas, com
aqueles que dizem serem meus amigos, pois não sei como irão me julgar. Gosto e
aprecio a maneira como você ensina e o seu grande dinamismo. Decidi procura-lo
para conversar pelo fato que o senhor é sempre rodeado de amigos, está sempre
de bom humor, é um ótimo profissional e muito inteligente. Além disso, nunca
destrata, desacata, trata mal aqueles que estão ao seu redor.
O professor comovido com a linda e
emocionante história de seu aluno rebateu:
— Você não atrapalhou nem atrasou o
desenrolar, desenvolvimento das minhas aulas. Estava aqui terminando de
preparar um material extra para que possa me ajudar a dar uma melhor
complementação do meu trabalho didático. Sempre tenho um tempo disposto para
ajudar um aluno, um amigo ou alguém que precise de um conselho.
O professor ainda disse:
— Sua história me comoveu. Quero que
saiba que sou não apenas um professor, um profissional na área de educação, mas
também, sempre que precisar, estarei disposto a ouvi-lo, assim como um melhor
amigo e confidente. Por isso, quero que volte aqui, todos os dias após as
aulas, no mesmo horário de hoje, para continuarmos nossa conversa. E quero que
saiba que sou muito grato por você me admirar como pessoa e profissional.
No outro dia, após as aulas, o
professor realmente cumpriu sua promessa e voltou ao lugar combinado pelos dois
para dar continuidade a última conversa que tiveram. O educador notou, pelo
comportamento, que o aluno se encontrava muito ansioso para continuarem o bate
papo do dia anterior. O menino tremia de uma maneira indescritível além de suar
muito frio, incessantemente, como se fosse uma cachoeira. Então, mesmo num
nervosismo constante, o aluno continuou seu diálogo e disse:
— Professor, nossa conversa ontem fez
com que eu refletisse muito sobre alguns aspectos e pontos de minha vida, do
meu cotidiano. Acho que foi por isso que enfrentei uma indescritível
dificuldade para conseguir dormir durante a noite inteira. Rolava de um lado
para o outro tentando adormecer mas o abraço e beijo do sono encontravam grande
dificuldade para vir ao meu encontro e me acalentar com seus carinhos.
Mas acho que a culpada pela minha
insônia foi toda minha ansiedade para continuar contando minha história para o
senhor. Senti como se estivesse diante a uma avenida em grande movimento, com
carros buzinando constantemente dentro de minha cabeça. Pensava a todo o
momento o que poderia fazer para transformar minha vida em algo melhor
utilizando as conversas que iríamos ter.
Então o professor disse ao aluno:
— Por favor, não faça com que sua
ansiedade atrapalhe sua linda noite de sono e descanso e a transforme em um
pesadelo. Você precisa aprender deixar seus problemas de lado no momento que
você deita para repousar ou poderá até enfrentar terríveis consequências como
até o fato de ficar doente. Mas continue sua história.
E o aluno decidiu dar continuidade onde
havia parado sua história:
— Moro com meu pai e com um amigo dele
chamado Pedro que muitos chamam carinhosamente de Pepe. Ele trabalha como
arquiteto e também possui grande aptidão para o mundo das artes. Aprecia todos
os tipos de obras artísticas. Gosta de manifestar seu senso estético através
dos desenhos, pinturas, textos literários e possui um gosto eclético para
compor músicas.
Além disso, ele me trata muito bem,
como se fosse um verdadeiro filho, uma joia rara cujo valor é exorbitante,
mesmo sendo apenas meu padrasto. Realiza todos os meus desejos e nunca deixou
nada faltar em minha vida. Trata-me com muito, um grande amor como um segundo
pai. Ele sempre manifesta uma imensa e indescritível preocupação quando
manifesto algum tipo de doença e me leva aos melhores e mais conceituados
profissionais da área de medicina, paga os melhores planos de saúde para que
sempre eu e meu verdadeiro pai estejamos sempre em estado de pleno bem estar.
Meu pai trabalha como professor
universitário de Língua Portuguesa em uma conceituada universidade onde moramos
além de ser um excelente poliglota. Em seu tempo de folga leciona idiomas como
inglês, francês, italiano e alemão em escolas particulares. Seu nome é Giovanni,
mas todos o chamam pelo apelido carinhoso de Gígio. Apesar de possuir um jeito
meio sisudo, carrancudo diante algumas pessoas de seu trabalho, ele também
possui outras características diferentes quando está com amigos e membros da
família. É um homem alegre, ri sempre das piadas dos outros, mesmo as sem
graça, é amável, preocupa-se com os problemas que todos enfrentam e faz de tudo
para que nada falte para mim e Pepe. Somos uma família muito unida. Mesmo após
um longo e cansativo, estafante dia de trabalho, meu pai e Pepe, sempre sentam
comigo para podermos conversar mais detalhadamente sobre tudo o que passamos
durante o dia e o que pode ser feito caso algum problema esteja atrapalhando
nossa convivência diária.
O menino, então continuou dizendo
durante seu diálogo de desabafo com o professor:
— Muitas vezes, saímos para conhecer lugares diferentes, não somente do local onde moramos, mas também de outros ambientes distintos do Brasil e do mundo, disse Josimar. Eles fizeram com que eu tomasse gosto pelos conhecimentos artísticos e me apresentaram locais conceituados e exuberantes que possuíam atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas, com o objetivo de estimular interesse, sentimentos, lembranças no espectador. Gostam de fazer com que eu tenha tudo o que eles não puderam ter durante suas infâncias e adolescências além de conhecer lugares que também não tiveram oportunidade de conhecerem durante o desenvolvimento vivencial, pois ambos vêm de famílias muito humildes, moraram em ambientes dominados pela violência. Mas nunca desistiram de batalhar pelos seus ideais, mesmo passando grandes necessidades, e também de concretizarem seus sonhos. Construíram seus mundos a base de muito trabalho, esforço. Passaram inúmeros tipos de dificuldades como fome, terem sido violentados, obrigados a trabalharem desde o início de sua infância para sustentarem seus familiares contava o menino com os olhos encharcados de lágrimas devido a grande comoção da história. Mesmo não sendo ricos atualmente, eles fizeram o possível e impossível para não deixarem nada faltar em nossas vidas. Notei que, todas as vezes que venho à escola, as pessoas começam me olhar de uma maneira diferente, preconceituosa além de fazerem comentários maldosos, deturpam toda a realidade, agem com má fé e uma péssima índole sobre o fato de meu pai ou meu padrasto, Pepe, me trazerem. Já ouvi muitos pais de alunos fazerem diversas perguntas maliciosas, difamadores, inescrupulosas como:
— Já sabe a verdade sobre eles, o
verdadeiro motivo que faz com que dois homens venham à escola trazerem você?
Qual o motivo de seu pai nunca estar acompanhado com sua mãe ou com outra
mulher quando vem acompanhar você? Ele contou alguma coisa ou mencionou algo em
especial sobre o verdadeiro motivo que levou a separação do casal?
— Eram incontáveis os números de
perguntas criadas pelas diversas pessoas cujas mentes eram das mais maliciosas
e que frequentavam o ambiente escolar e nas quais as respostas eu desconhecia.
Tantas coisas incomodavam minha vida e atormentavam meu cotidiano que cheguei a
transformar meu comportamento de uma maneira indescritível. Eu era calmo,
carinhoso, atencioso e repentinamente passei a ser mais violento, comecei a me
isolar das pessoas ao meu redor, chorava compulsivamente e senti que estava me
tornando depressivo e muitas coisas ruins, com intuito de me tirar do mundo
real e me levar diretamente para a vida espiritual, começaram a rondar minha
mente. Tudo isso foi devido aos comentários, perguntas maliciosas inventadas
com segundas intenções pelas pessoas com intuitos maléficos e com mentes
deturpadas e desprovidas de pudor.
Então o aluno voltou a questionar
inteligentemente o professor e atualmente definido pelo menino como um novo
amigo confidente de maneira que pudesse ajuda-lo a sanar uma dor diagnosticada
por ele como se fosse algo incurável que tomava conta de sua vida há muitos
anos:
— Fiquei com todas aquelas dúvidas
durante muito tempo na cabeça. Será que meu pai e o amigo dele escondiam um
segredo que não podiam me contar ou não poderia ser revelado a nenhuma pessoa?
Mas não decidi fazer nenhum tipo de pergunta para o meu pai sobre os
comentários, perguntas maliciosas feitas pelas pessoas na escola sobre nossas
vidas particulares. Sei que o ser-humano é maldoso e procura encontrar todos os
tipos de maneiras para ofender, difamar alguém. Por isso muitos dizem que
palavras são mais perigosas e matam mais que uma arma.
Educadamente, após uma longa conversa
com o aluno e sem nenhuma pausa, o professor decidiu interromper a conversa com
Josimar e perguntou a ele:
— Você já tentou conversar mais
calmamente com seu pai e também seu padrasto e explicar as coisas, os fatos de
uma maneira mais detalhada sobre tudo o que anda acontecendo, afligindo,
aborrecendo, deprimindo você? Converse com eles sobre os comentários maldosos,
as perguntas de duplos, vários, múltiplos sentidos feitas por muitos pais de
alunos entre outras pessoas que fazem parte do ambiente escolar que envolve
também seus amigos, professores, funcionários, quando algum deles o trazem
aqui. Considero tal fato um ato de falta de respeito, totalmente
discriminatório. O ser-humano, desde sua criação, não aprendeu respeitar as
pessoas, o mundo que vivem. Muitos tratam seus igualitários de maneira bizarra,
violenta, bestial.
Dizem ter evoluído, mas regrediram
totalmente. Suas mentes não conseguiram acompanhar as transformações do corpo e
permaneceram como uma rocha, de uma maneira rígida e estática. A vida de uma
pessoa é como a de um automóvel que possui apenas marcha à ré, ou seja, vai
somente para trás. Ele nunca procura aprender coisas novas com seus erros, mas
sempre está sempre a criar novas besteiras, deslizes, disse o professor ao
aluno.
O menino então respondeu:
— O fato de conversar com meu pai e meu
padrasto Pepe, sobre tudo o que está acontecendo, já me veio à tona várias
vezes á cabeça. Pensei em diversas maneiras para podermos conversar de uma
maneira mais harmônica, inteligente, sutil sobre os comentários maldosos feitos
pelas pessoas em relação ao que considero uma amizade mais íntima. Tenho sido
criado por eles e não quero, jamais, magoá-los, feri-los, entristece-los com
todas as expressões, perguntas e comentários maliciosos usados por muitos
quando vão se referirem a eles. Venho sido criado pelos dois desde que
completei três anos. Atualmente, tenho dezessete já completados. Meu pai e o
amigo dele são tudo para mim. Digo que sou uma pessoa abençoada, diferente das
demais por possuir dois pais. Sei o que fazem e a maneira que eles se
sacrificam pelo meu futuro, meu bem estar e para não deixar nada faltar. Magoar
meu pai e seu amigo, no qual considero um segundo pai, seria como se o todo o
universo acabasse numa única explosão.
O professor Valdecir, mostrando-se
curioso com toda a história, decidiu perguntar a Josimar:
— Você nunca notou nada de diferente
entre os dois? Nunca perguntou a seu pai ou ao seu padrasto Pepe qual o motivo
deles morarem juntos há tantos anos, sem a convivência de nenhuma mulher?
Josimar então respondeu com grande
sapiência e de um jeito polido ao seu aluno:
— Nunca tive curiosidade sobre a
convivência de ambos ou sobre as pessoas que frequentam nossa casa. Vejo,
diariamente, que os dois se tratam muito bem e convivem de uma maneira muito
harmoniosa, agradável, tranquila. Quando um deles adoece, o outro entra em
desespero absoluto. Leva-o a diversos lugares, com preços distintos, que
possuam tratamentos contra a doença que um deles está enfrentando no momento.
Já chegaram a passar noites acordadas cuidando um da enfermidade do outro. Os
dois ainda sabem fazer todos os tipos de trabalhos caseiros como lavar, passar
e cozinhar muito bem. E olha que aprendi realizar muitos trabalhos caseiros
graças a grande paciência deles. Eles nunca me obrigaram a realizar tais
tarefas. Sempre tive curiosidade e aprendi de livre e espontânea vontade.
Josimar ainda complementou em sua
resposta ao professor:
— Mas existem muitas coisas que
percebi. Os dois sempre dormiram juntos no mesmo local, mesmo tendo três
quartos na casa. Mas nunca perguntei a eles por que isso sempre aconteceu,
nunca tive malícia em relação a este detalhe, pois sempre achei que era pelo
fato de sempre serem muito amigos, quererem dividir confissões, experiências e
por morarem juntos há muitos anos.
O professor decidiu curiosamente, com intuito
de ajudar seu aluno, questioná-lo sobre os problemas relacionados ao seu
círculo de amizades:
— Você tem muitos amigos com quem possa
conversar, compartilhar seus segredos mais íntimos, casos de sua vida e até
combinarem para saírem juntos?
Então, com o semblante, o rosto todo
ruborizado, vermelho, Josimar respondeu timidamente às perguntas do professor
Valdecir:
— A única pessoa com quem costumo
conversar quase sobre tudo o que acontece em minha vida e na qual somos amigos
desde infância desde o tempo que meus pais ainda eram casados é minha amiga
Josefina na qual costumo chamar carinhosamente pelo apelido de Zezé. Nós dois
costumamos passar horas conversando sobre diversos tipos de assuntos, desde os
mais alegres até aqueles mais tristes, problemáticos e que nos levam aos
prantos, a chorar abundantemente. Entre nós não existe segredo. Pelo menos é o
que nós dois realmente acreditamos.
— Mas existe um grande segredo no qual
escondo e não consigo dividir com ela, contar para ela: a grande paixão, o amor
incondicional que sinto por ela. Digo que meu sentimento é amor verdadeiro e
não paixão, pois já vem de muito tempo e continua se mostrando duradouro, mais
expansivo. Envolve emoções mais profundas relacionadas ao grande sentimento que
envolve toda minha vida relacionada a ela também. Tentei diversas vezes, de
várias maneiras conversarmos mais particularmente sobre isso, mas o principal
motivo que me impede de tudo ser revelado, de revelar um dos meus mais íntimos
segredos é a minha grande falta de coragem.
O educador então voltou a questionar o
seu aluno de maneira que ele pudesse expor seus sentimentos sem constrangimento
em relação a sua amiga:
— Já tentou fazer isso aos poucos,
preparar cuidadosamente o campo para revelar, expor seus sentimentos em relação
a ela?
O aluno então respondeu educadamente a
pergunta do professor:
— Ainda não, prezado mestre. Mas, como
foi dito da sua parte, devo aprender vencer os meus principais sentimentos
ruins, inapropriados, que atrapalham muitas vezes, grande parte da minha vida.
Como principal exemplo, posso citar a timidez. Ela, muitas vezes, faz com que
eu assuma uma posição de uma pessoa totalmente retraída, envergonhada, como medo
até de usar as próprias palavras. Não consigo expor afeições pelas pessoas mais
intimas que estão próximas a mim.
Com medo de surgir outros problemas
piores, mais drásticos relacionados ao garoto, Valdecir decidiu aprofundar mais
suas questões em relação à vida de Josimar e seus dois pais. Então perguntou de
uma maneira polida e categórica ao aluno, fazendo de tudo para não abalar os
sentimentos do estudante:
— Josimar, diga para mim: “Já tentou
ter mais confiança em sua família? Tentou conversar mais vezes com seu pai e
padrasto sobre tudo o que tem acontecido com você envolvendo os diversos
comentários maldosos, maliciosos, de duplos sentidos relacionados a eles que
você já escutou e também os muitos tipos de preconceitos enfrentados por você
em relação a estes tipos de conversas”?
Após fazer a pergunta a Josimar, o
professor olhou atentamente nos olhos do aluno e notou que ele não conseguiu
responder a pergunta com medo de ser discriminado. Ficou algum tempo quieto,
como se tivesse se isolado em um mundo criado por ele, protegido por uma
redoma. Então, após alguns minutos, o professor deixou de lado a pergunta e
passou a ajudar o rapaz com alguns conselhos:
— Tenha mais confiança em seu pai e
padrasto, pois eles têm feito de tudo para dar a você uma ótima criação e
educação. Sinta-se agraciado por possuir dois pais que, além de amá-lo muito,
procuram fazer com que nada falte no seu cotidiano, não permitem que nenhum
problema o afete. Veja tudo o que ambos fizeram e enfrentaram para fazerem que
você tivesse uma vida mais adequada, com mais regalias. Não são todos que
possuem tais prioridades cujos pais poderiam enfrentar o mundo para o bem estar
de seu filho.
O menino então respondeu polidamente às
palavras do professor:
— Mestre, gostaria que soubesse que
atualmente o senhor tem me transmitido grande confiança e que o vejo como não
somente como um confidente, mas como alguém que possa confiar segredos e
histórias que tenho guardado dentro de mim e vem me ferindo, meu melhor amigo,
um terceiro pai.
O menino continuou então desabafando
seus problemas pessoais ao professor dizendo:
— Professor, algum tempo atrás, alguns
colegas iam, frequentavam minha casa constantemente para estudarmos juntos,
conversarmos. Pepe era um ótimo, primordial cozinheiro e preparava inúmeros
tipos de guloseimas para não somente me agradar mas também a todos os meus
amigos. Mas comecei a notar que muitos deles pararam de frequentarem minha casa
e também começaram a me evitarem no ambiente escolar. Eu desconhecia quais
motivos levaram a eles tomarem tais decisões. Será que havia feito algo durante
nossas reuniões que não os agradou ou pairava algo no ar que todos sabiam e
para evitarem meu constrangimento decidiram evitar frequentarem o local onde
moro?
— Comecei achar tudo aquilo muito
estranho e decidi perguntar a eles o que os levariam a deixarem de frequentarem
minha casa de uma hora para outra, sem explicarem, dizerem o verdadeiro motivo
que os levaram a pararem de frequentar o local onde moro. Então um de meus
amigos de classe decidiu ser verdadeiro e expôs os motivos verdadeiros que o
levaram a deixar de frequentar minha casa:
— “Meus pais proibiram minha ida a sua
casa devido ao fato de acharem que as pessoas com quem você mora, ou seja, seus
pais, são péssimas influências para muitas pessoas — disse Nico, seu colega de
classe. Josimar ouvindo a resposta de Nico em relação a convivência de seu pai
e Pepe ficou abalado, achou tudo muito degradante, humilhante, deprimente,
coisas de pessoas cujas mentes são maléficas e não acompanharam a evolução do
tempo. Decidiu então repentinamente perguntar:
— “Qual o motivo deste comentário tão
sinistro, sem nexo? Existe algum tipo de problema em relação a convivência, a
divisão de despesas do mesmo lar entre meu pai e o amigo dele, indagou
Josimar”?
Nico após ouvir aquela pergunta vinda
de seu amigo Josimar respondeu:
— Você não sabe ainda a resposta? Nunca
revelaram nada sobre a convivência diária de ambos? Sabe qual o verdadeiro
motivo que levou seu pai e mãe a se separarem? Como sou seu amigo, coisa que já
não acontecia mais segundo Josimar, vou ser bem sincero contigo:
— Seu pai e o amigo que convive com ele
na mesma casa são “gays”.
Após embutirem um fato novo em sua
vida, um assunto desconhecido, não relatado por ninguém a ele sobre a nova
opção sexual do pai e do novo padrasto dele, ou seja, a homossexualidade, César
ficou triste, desolado e também revoltado sobre sua nova descoberta. Começou a
se mostrar um pouco depressivo e com sentimentos que o deixavam muito maus.
Saiu sem destino pelas, como se um mundo inteiro tivesse caído sobre sua
cabeça. Tentando melhorar, dar uma nova guinada a sua vida, o rapaz decidiu
morar com sua madrinha, Isaura, uma solteirona que morava sozinha há muitos
anos.
Quando cheguei a minha casa, passei por
ambos sem cumprimentar e decidi ir diretamente para o meu quarto para juntar
todos os meus pertences e ir embora daquele lugar no qual julgava não ser mais
propício para mim. Definia um ambiente surreal, que poderia denegrir minha
imagem de macho alfa diante meus amigos e também de toda sociedade, pois morava
em um local cujos ambos os donos, nos quais os definia como pais, eram
homossexuais. Apesar de muitos adjetivarem pessoas como eles como aberrações da
natureza, seres imutáveis, terem sido possuídos por algum tipo de espírito
maléfico, denominarem suas orientações sexuais como algo doentio, eu sempre os
amei da maneira como são e o estilo carinhoso, amoroso, afetuoso que sempre me
criaram. Mas atualmente eu me encontrava com meu comportamento diário mais
raivoso, comecei a trata-los de maneira mais rancorosa, totalmente
transtornado, fora de si, desequilibrado.
Meu pai notou um comportamento
diferente, violento, esquizofrênico, coisa nunca vista por ele em mim durante
toda nossa convivência. Chorava e soluçava de uma maneira incessante,
compulsiva. Ao olhar dentro dos meus olhos, ele notou um olhar raivoso.
Então decidi contar e tirar todas as
minhas dúvidas sobre tudo sobre o que aconteceu e que havia descoberto de uma
maneira não apropriada, através de fofocas, comentários maliciosos, sobre a
opção sexual dele e do meu padrasto Pepe.
De um modo súbito, repentino e
totalmente irritado disse a meu pai:
— Pai, qual motivo de assumir um papel
tão egoísta que levou o senhor a esconder a verdade de mim sobre o fato de
possuir uma diferente preferência em relação a pessoa com quem se relaciona da
estipulada pela sociedade? Não chegou a pensar sobre quais os reflexos
negativos, como preconceitos diversificados, que isso traria em nossas vidas e
de nossos familiares? Você não pode imaginar o que tenho enfrentado diante o
fato de ambos ocultarem a verdade, o fato que vocês eram gays e que viviam
juntos há muitos anos. Outra coisa que me revolta não é o fato de duas pessoas
do mesmo sexo, ainda mais sendo dois homens viverem juntos num mesmo ambiente,
dividirem o mesmo teto, mas o caso de nunca terem conversado comigo sobre ambos
possuírem a guarda legal relacionada à minha adoção.
Ao ouvir todo meu desabafo, meu pai
parecia ter caído dentro de um precipício sem fundo, que todo seu mundo desabou
sobre sua cabeça além de todos que diziam serem amigos se voltaram no momento
de maior necessidade. Chegou mais próximo ao filho que tanto amava, mais que
sua própria vida, e então disparou a chorar compulsivamente além de soluçar e
tremer de uma maneira incontrolável, incessantemente devido ao nervosismo
causado pela conversa séria que teve com seu filho. Após se acalmar, Gigio
disse:
― Meu filho, sei que a maneira como
você descobriu tudo isso, relacionado a sua adoção por pessoas do mesmo sexo e
também sobre minha opção sexual não foi apropriada. Sua mãe, em seus últimos
dias de vida, apoiou sua adoção também por Pepe. Ele ajudou cuidar muito bem
dela durante os momentos mais cruciais de enfermidade e ela ficou muito grata
ao Pepe pelo gesto nobre dele em relação a ela. Muitos indivíduos que se
denominavam amigos e inúmeros familiares desapareceram da vida de sua mãe
quando ela mais estava carente e necessitada de alguém para apoiá-la. Saiba que
ela não morreu sozinha, mas acompanhada
das pessoas que a amavam muito. Antes de falecer ela me chamou, pegou em minha
mão e me abraçou fortemente. Então disse com uma voz branda, calma em meu
ouvido:
— Por favor, perdoe-me por todos os
erros que cometi durante nosso casamento e por ter feito você sofrer com meu
comportamento alterado, minha falta de compreensão. Mas saiba que o amei muito
e que você foi o homem mais importante da minha existência. Deus me presenteou
com a maior divindade que pude receber que foi o fato de exercer o papel
primordial de ser mãe. Sei atualmente que a verdadeira mãe não é aquela que
gera e põe no mundo para viver e enfrentar as inúmeras dificuldades, mas sim a
mulher que cria, faz de tudo para proteger como uma leoa o filho do coração de
todos os problemas, abraça fortemente e enxuga suas lágrimas em todos os
momentos, capaz de morrer, oferecer a sua vida ao Criador em troca da proteção
de seu rebento. Faça de seu atual amor uma pessoa muito feliz pois sei que ele
o ajudou a superar todas as dificuldades durante nossas vidas e as impostas
pela sociedade e nunca permita que ninguém o faça sofrer pois sabemos que o
mundo é cruel, impõe regras e discrimina tudo que é diferente. Além disso, ele
foi um ótimo padrasto e fez o possível e impossível para que nosso filho não
sofresse. Faça de tudo para que nosso descendente se torne um homem de valor e
não deixe que as pessoas o maltratem, discriminem, desfaçam das suas
características primordiais.
Após ter dito calmamente todas as
palavras que desejava e pedido perdão por todos os pecados cometidos durante o
matrimônio, a ex-esposa de Gigio o abraçou novamente de uma maneira mais
calorosa e apertada, deu um sorriso, um último suspiro e virou seu rosto para o
lado e faleceu. Ainda durante sua extensa conversa com Josimar, Gigio
continuava tentando se explicar dizendo:
— Muitas pessoas não possuem
sentimentos e não se importam com as consequências que muitas histórias possam
proporcionar na vida e no convívio de alguém. Mas quero que ouça e analise,
reflita profundamente todas as minhas palavras e saiba que elas vêm do fundo do
meu coração. Quero que tenha em mente que você nunca deixará de ser meu amado,
estimado filho. Eu o amo e esse sentimento nunca irá diminuir e sim continuará
sempre aumentando. Sei que o casamento entre eu e sua mãe não teve continuidade
devido a inúmeros fatores. Mas apesar de nossa separação, tivemos a sorte de
receber o presente mais abençoado, amado por nós e enviado por Deus: “VOCÊ”.
O filho ainda mantinha um aspecto
sisudo. Mesmo assim, Gigio ainda insistia em continuar suas explicações
dizendo:
— Após a separação, encontrei em seu
atual padrasto Pepe, uma pessoa que me completou plenamente. Ele nunca me
abandonou e sempre esteve ao meu lado em todos os momentos. Mesmo nos mais
difíceis onde todas as pessoas, que diziam ser suas amigas, desaparecem quando
descobriram sobre nosso verdadeiro relacionamento. Ele me fazia rir quando
estava triste, depressivo ou chorando, ouvia tudo o que dizia mesmo sendo
piadas sem nenhum tipo de nexo ou comicidade, escutava atentamente minhas
confidências. Quando fiquei desempregado e dependente das minhas economias,
Pepe sempre dividiu todas as despesas do cotidiano. Ele conseguiu driblar todas
as nossas dificuldades e batalhou intensamente, trabalhando em vários períodos
como profissional de várias áreas, para me ajudar a arrumar uma maneira de
conseguir mudar para melhor nossa situação financeira e me ajudar a não
permitir faltar nada de importante em nossas vidas, se preocupou com os
problemas sociais diversificados que você enfrentava com as pessoas dentro e
fora do ambiente escolar.
Após ouvir tudo o que foi dito pelo meu
pai com um sentimento de muita raiva, não consegui me calar e disse palavras
furiosas, dolorosas nas quais me arrependo até hoje de ter pronunciado com
tanto rancor àquelas atrocidades verbais, sem sentido algum, dolorosas e que
machucou aquela pessoa que tanto fez para me criar e ainda continua me amando
tanto. Mas muitos dizem que quando passamos por sentimentos negativos, como a
ira, nossa mente não reflete sobre os nossos diversos atos que realizamos e as
inúmeras palavras que serão ditas. Sentimos como se nosso corpo e mente fugisse
do controle.
Então parei um pouco para conter minhas
emoções e continuei a conversa com meu pai e disse:
― Papai, você é um grande mentiroso.
Nunca se importou sobre quais as principais consequências que esta história
poderia trazer a minha vida quando descobrisse sobre minha verdadeira origem.
Estou muito triste e decepcionado com tudo o que foi descoberto e por você ter
escondido tudo isso durante tanto tempo, nunca ter encontrado uma maneira mais
justa, apropriada para me revelar sem que tal fato me machucasse tanto.
Após ouvir palavras rancorosas,
ríspidas, cruéis, sem prensar vindas diretamente do seu primogênito, o pai se
sentiu magoado, como se o mundo tivesse desabado sobre sua cabeça e desabafou
ao seu único rebento:
— Filho não seja tão rancoroso e jamais
diga tais coisas com tanto ódio para mim. Sinto como se estivesse sendo
apunhalado no coração com tantas palavras de rancor partidas de você. Sei que
você possui suas justificativas pelo fato de eu nunca, jamais ter revelado
sobre a sua verdadeira história. Mas quero que saiba que muitas vezes muitos
indivíduos distorcem o verdadeiro sentido do contexto, omitem fatos, fazem de
tudo para destruírem o vínculo de uma família. Suas expressões raivosas me
deixam muito triste. Cortam mais meu coração que uma faca. É como se meu mundo
tivesse sido destruído por um cataclisma estilo terremoto, um furacão, uma
grande explosão. Não revelei nada sobre minha vida atual a você com medo de não
ser compreendido, discriminado sobre minha opção sexual. Tive grande receio de
você se revoltar, fato que está acontecendo no momento, e também de ser vítima
de algum tipo de maledicência, violência, discriminação, preconceito diante a
sociedade. As pessoas não entendem muito menos aceitam as diferenças e muitas
vezes abominam, discriminam, geram pensamentos negativos daquilo que elas acham
que poderá modificar o comportamento alheio, da sociedade ou poderá destruir
futuramente. Em outras palavras, as pessoas não compreendem nem aceitam
determinadas escolhas. Muitos julgam sem nenhum tipo de conhecimento mais
preciso sobre aquilo que estão julgando.
Após ouvir toda a explicação do pai,
Josimar continuou a aparentar uma expressão raivosa e disse com grande
exaltação, fúria excessiva em sua voz a Gigio:
― Não acredito em nada dito pelo
senhor, em nenhuma de suas palavras. Você mentiu para mim durante muitos anos,
omitiu toda a verdade a seu e a meu respeito durante um longo tempo. Escondeu
toda sua história e jamais se preocupou sobre o que isso poderia proporcionar o
que eu poderia passar quando descobrisse tudo. Fui vítima de preconceitos,
comentários raivosos e maliciosos, chacotas sem terem nenhum tipo de
conhecimento sobre o verdadeiro motivo de tais coisas. Você é egoísta, nunca
pensou em mim, mas somente priorizou as coisas que estão ao seu redor. Você
nunca me amou ou teve algum tipo de sentimento positivo em relação a mim. Suas
emoções eram todas voltadas ao seu namorado, o Pepe.
Ao ouvir todas as minhas palavras, que
mostravam grande fúria e rancor, meu pai decidiu se calar e continuou a chorar
compulsivamente. Seu rosto mostrava a expressão de uma pessoa muito triste,
abalada, depressiva com as inúmeras manifestações de pensamentos e sentimentos
raivosos transmitidos durante a conversa entre mim e ele. Josimar não maneirou
na utilização das palavras ditas a Gigio e nem o que tanto rancor poderia
acarretar. Tudo foi dito com tanta fúria, que o progenitor sentiu seu mundo e
tudo ao seu redor desabar. Foi como se o chão se abrisse debaixo de seus pés e
ele fosse enterrado vivo. Já não se sentia o principal alicerce da obra
familiar, mas sim às ruínas.
Antes de sair da casa de seu pai, o
menino ainda disse:
— Quero que saiba que não irei mais
morar contigo e o Pepe. Decidi juntar todas as minhas coisas para morar com
minha madrinha. Lá sei que terei mais atenção, seremos apenas nós dois e não
serei mais vítima de preconceitos, discriminações, falta de compreensão, por chacotas.
Tenho certeza que serei melhor valorizado e mais amado por ela Josimar saiu
correndo da casa de seu pai e padrasto, sem destino algum, após a extensa e
rancorosa conversa que teve com seu pai. Durante o percurso, minha longa
caminhada sem rumo, encontrei minha amiga Zezé praticando exercícios sozinha
pelas ruas da cidade. Ao nos depararmos, ela notou que eu estava enfrentando um
grande nervosismo, uma terrível aflição e se preocupou com tudo aquilo que
estava vendo e sentindo diante dela. Decidi, então, contar toda minha história
pois encontrava nela uma amiga, um abrigo, alguém confiável na qual podia
relatar meus segredos, me desabafar. Ao ouvir toda minha história, Zezé decidiu
se manifestar diante tudo aquilo que ouviu e disse:
― Josimar, você jamais deveria ter
feito isso, agido com tanta fúria e rancor. Muitas vezes devemos pensar,
raciocinar, refletir melhor antes de dizer determinadas rancorosamente algumas
palavras pois elas tem grande proporção e podem ferir, matar se não forem bem
analisadas antes de serem ditas. As diversas maneiras foram muito pesadas,
incondicionais que você utilizou para julgar seu pai e ao atual companheiro
dele, mostraram que dentro de você se esconde um ser desconhecido e cujas
principais armas utilizadas para se defender daquilo que se mostra diferente
são o preconceito e a fúria. Você não deve se importar com comentários alheios,
mas deve valorizar as pessoas que o amam e fazem de tudo para seu bem estar
diante a sociedade. Não raciocinou direito sobre os terríveis malefícios que
poderia causar a vida deles com expressões de tamanha hostilidade? Você os
tratou com um tremendo desrespeito, incompreensão, desafeto, desamor. Zezé
ainda continuou dizendo:
— Lembre-se que os dois fizeram o
plausível e também o impossível para que nada faltasse em sua vida. Deixaram de
fazer muitas coisas pensando sempre com maior prioridade em seu bem estar.
Criaram você sempre com muito amor e decidiram esconder toda sua história com
medo que você não conseguisse entender e fosse vítima da incompreensão,
maldade, inúmeros tipos de comentários e fosse vítima de algum tipo de ação
brutal, violenta, de suma truculência da sociedade. Você acha que tais atitudes
são de pessoas que não o amam suficiente, não se preocupam contigo e seu bem
estar e em protegê-lo dos perigos algozes? Pense e reflita melhor sobre tudo o
que conversamos e também sobre as palavras rancorosas ditas ao seu pai. Após a
longa conversa com Zezé, Josimar agradeceu sua amiga pela calma e as
maravilhosas palavras de conforto. Ele, então, não contendo seus sentimentos,
começou a chorar arrependido por todas as expressões de rancor, fúria
transmitidas ao seu pai durante a conversa que tiveram juntos. Ele ainda
lembrava-se da aparência entristecida, magoada, melancólica na face de seu pai
com tudo o que foi dito. Das lágrimas que corriam pelo seu rosto e lembravam as
águas de um rio sem destino para desaguarem.
De repente, o professor interrompeu a
conversa e decidiu se manifestar sobre tudo o que ouviu relacionado à história
de Josimar e disse:
― Josimar, sempre reflita com mais
maturidade sobre as palavras nas quais você pretende dizer a alguém mesmo que
essa pessoa tenha maior proximidade a você. É muito difícil termos
conhecimento, sabermos melhor quais os reflexos que nossos atos, expressões
podem proporcionar futuramente na vida de alguém. Tudo o que dizemos tem grande
relação entre as partes, força, pode magoar, causar danos terríveis e muitas
vezes irreparáveis, irreversíveis na vida de uma pessoa. Não somente seu pai,
mas o companheiro dele, ambos devem ter ficado muito abalados com tanto rancor
utilizado, exposto, transmitido em suas palavras durante a extensa conversa que
teve com seu pai. Seja mais compreensivo, procure conversar com maior
paciência, não julgue antes de conhecer melhor o que está sendo discutido,
debatido. Além disso, procure amá-los como são e não pela maneira como as
pessoas os descrevem e julgam. Deixe de ouvir, priorizar comentários maldosos,
maliciosos criados pela sociedade. Muitos sentem intenso prazer em julgar o
cotidiano alheio, tudo que é diferente e nunca se importam, priorizam a própria
vida. Pense e aceite tudo o que seu pai fez por você, as diversas coisas que
ele necessitou enfrentar para criar. A vida dele não foi nada fácil e fez de
tudo para proporcionar uma vida melhor para você. Procure não ser tão ingrato,
incompreensível, rancoroso e aceite a opção sentimental escolhida pelo seu pai.
Devemos acolher e entender as decisões das pessoas a quem mais amamos. Perdoe-o
e aceite com o coração as escolhas dele e somente dessa maneira não farão, nem
ele nem o companheiro dele, sofrerem e tornarem todo o martírio deles em grande
alegria.
Após ouvir todas as palavras do
professor Valdecir, o aluno refletiu e disse:
— Professor, concordo plenamente em
todos os sentidos, em gênero, número e grau com todas as suas palavras, em tudo
o que foi debatido em nossas conversas. Sei e aceito o fato de eu ter sido
inconveniente com meu pai quando disse todas aquelas palavras rancorosas a ele.
Não pensei sobre as consequências que elas poderiam proporcionar futuramente na
vida dele. Minha formatura do Ensino Médio está chegando e farei uma grande
surpresa a ele e ao seu estimado companheiro. Mas será um segredo no qual
somente o senhor, prezado professor, terá uma base. Ficarei morando com minha
madrinha por uns dias para não despertar maior curiosidade e não estragar a
surpresa. Ambos serão convidados a comparecerem uma semana antes do evento ser
realizado.
Após a conversa com o professor
Valdecir, o aluno agradeceu pela paciência do educador, pelos excelentes e
aproveitáveis conselhos e pelo longo tempo gasto em ouvi-lo e também por ter
ajudado com seus problemas e disse:
― Professor, não tenho palavras
suficientes que possam justificar, descrever toda minha gratidão pelos gestos,
expressões e conselhos maravilhosos, de grande sabedoria transmitidas pelo
senhor. Ajudaram-me muito na minha convivência diária com as pessoas. Notei que
suas palavras transformaram meu comportamento, meus atos para uma pessoa mais
sociável. Tudo o que foi dito me ajudou a refletir melhor sobre todas as minhas
ações diárias e a terrível dor que causei ao meu pai usando termos rudes e
preconceituosos. Mas pretendo mudar, de hoje em diante, toda minha vida, me
tornar uma pessoa mais adaptável, sociável, compreensiva, alguém mais digno do
amor que meu pai sempre me ofereceu, me proporcionou e eu nunca aceitei devido
ao fato de nunca saber compreendê-lo. Vejo na sua pessoa, algo mais que um
educador, pois transmite sinceridade, segurança, honestidade. Meu querido e
idolatrado mestre, sua presença faz como se eu estivesse conversando com um
verdadeiro amigo. Como se Deus tivesse descido ao nosso mundo e estivesse
disfarçado como essa excelente pessoa que exerce a profissão de educador e cujo
nome é Valdecir.
Ao ouvir todas aquelas maravilhosas
palavras de agradecimento vindas do seu aluno, o professor não conseguiu conter
suas lágrimas devido á forte emoção sentida por ele com aquelas expressões
verbais, mas que tinham uma grande intensidade sentimental de amor e disse e
respondeu ao seu aluno:
— Você não precisa mostrar nenhum tipo
de gratidão pelos inúmeros dias e pela extensa conversa que tivemos para
debatermos seus problemas alheios e que tanto o incomodavam, prejudicavam em
seu cotidiano. Sua manifestação de alegria, confiança, mudança em seu
comportamento, me ver como um alicerce e melhor reflexão dos seus atos
relacionados a conversa com seu pai já são meu pagamento. Eu que devo agradecer
por me considerar, definir como um grande amigo. Agora vá e pense melhor em
tudo o que conversamos durante todo esse tempo.
Ao sair da escola, encontrou sua amiga
Zezé e contou totalmente emocionado a ela sobre o desabafo que havia tido com o
professor Valdecir e os benefícios que aquela extensa conversa proporcionou a
sua vida. Ele notou que estava conseguindo entender melhor seu pai e, por isso,
estava apto a perdoá-lo por ter escondido durante tanto tempo toda a verdade
relacionada à sua história conjugal e sentimental com Pepe. Então, decidiu
pedir um grande favor à sua amiga Zezé:
― Zezé, gostaria de preparar uma surpresa
para meu pai e o companheiro dele. Mas não queria revelar a ninguém sobre o que
farei. Sei que meu pai gosta, estima e admira muito você e a nossa sincera
amizade. Diga a eles que terá uma formatura na escola onde estudamos e que você
ficaria muito contente com o comparecimento, a presença de ambos. Caso a
questionem sobre minha presença ou se eu irei participar da graduação, diga
apenas que está totalmente desinformada sobre isso e que eu não revelei a você
algo sobre minha participação. Gostaria que você os incentivassem a ir à nossa
formatura e fosse juntamente com eles.
No dia da formatura, Gigio e Pepe
compareceram mesmo não sabendo se Josimar estaria presente. Ao chegar, ficaram
surpresos com o que viram e pelo que foi dito por Zezé:
— Senhores Giovanni e Pepe, esta é
minha mãe Olívia e sua companheira e, praticamente, esposa Sofia. Elas moram
juntas desde meu nascimento. Passei por tudo o que Josimar enfrentou e entendo
perfeitamente os motivos de seu rancor, incompreensão, preconceito, difamação
além de muitas outras coisas com aspectos negativos. Mas com muita conversa,
reflexão com minhas mães, profissionais especializados, verdadeiros amigos,
soube relevar e entender tudo o que estava acontecendo, pois sabia que elas se
amavam muito e nunca deixaram que nada atrapalhasse a relação entre elas e que
nenhum tipo de perjúrio afetasse meu desenvolvimento e minha criação. As
pessoas não entendem e fingem serem cegas para não verem as coisas diferentes
que estão ao seu redor. Quando perguntam sobre minha família, digo que sou
abençoada por ter duas mães e que jamais destinei mais amor a uma que a outra.
Verdadeira progenitora é aquela quem cria, proporciona carinho e muito amor.
Minha duas mães enfrentaram todos os tipos de preconceitos e nunca deixaram de
proporcionar nenhum tipo de afeto necessário e sempre me ajudaram, mesmo nos
momentos mais alegres ou ate nos difíceis. Compartilhamos tudo em nossas vidas.
Sei das grandes dificuldades que ambas tiveram para me criar, chegando a tirar
alimento da própria boca para me sustentar e não deixar passar fome.
Ao ouvir toda a história relatada por
Zezé, todos se envolveram num grande abraço, como se estivessem reunidos em uma
reunião de família, como se fossem grandes amigos íntimos de muitos anos.
Decidiram, então, juntar as mesmas e compartilhar o mesmo espaço.
De repente, todas as luzes do ambiente
foram apagadas e a música que alegrava o local parou de tocar. A escuridão e o
silêncio, seguido após um tempo por vaias e gritos tomaram conta do lugar.
Neste mesmo tempo se viu um vulto emergir da escuridão rumo ao microfone,
envolvido por diversos tipos de luzes e todas elas coloridas. Lembrava mais um
arco-íris após uma longa tempestade, mas nesse caso surgindo em local
diferente. Foi nesse exato momento que todas as luzes do palco se acenderam e a
plateia conseguiu ver Josimar. Após um súbito silêncio, começou a dizer a
todos:
― Pai, sei que não sou digno de todo
seu amor. Disse, durante nossa última conversa, palavras rancorosas, com grande
profundidade de ódio nas quais não pensei com maturidade ou refleti sobre as
proporções que tais gestos poderiam causar a você. Fui egoísta e não soube
entender sobre todas as dificuldades que enfrentou por mim e para me
proporcionar um melhor estilo de vida. Quero que ainda saiba que você não é
apenas meu pai mas também meu amigo, confidente, conselheiro, ou seja, minha
vida, meu mundo. Criou-me desde que nasci. Trocou minhas fraldas, me alimentou,
passou horas comigo durante os dias, noites e madrugadas tentando me ninar ou
até mesmo durante as minhas enfermidades ficou horas comigo no colo esperando
por atendimento em hospitais. Mas sei que tudo isso teve uma grande ajuda de
uma pessoa na qual você convive há muitos anos e ama loucamente e que tenho
maior orgulho de definir como um pai. Esta pessoa que estou falando é o companheiro
do meu pai e se chama Mário.
Muito emocionado, Josimar continuou a
declarar todo seu amor ao seu pai e ao companheiro dele dizendo:
— Sinto muito orgulho por ter pessoas
tão maravilhosas como vocês dois fazendo parte da minha vida e que possa chama-los
de pais. Sei que ainda devem estar tristes, por tudo o que disse e por isso,
através deste evento, venho diante a todos, pedir, rogar, implorar pelo perdão
da pessoa na qual mais amo: Meu pai Giovanni conhecido carinhosamente por mim
pelo apelido de Gigio. Criei tal apelido quando era criança pois como seu nome
era muito extenso e difícil de pronunciar, e também pelo fato de sofrer com a
dificuldade para dizer seu nome, encontrei uma maneira mais fácil e apropriada,
ou seja, a de chama-lo pelo carinhoso apelido de Gigio.
Muito emocionado, o rapaz continuou
dizendo através do discurso de formatura ao seu pai e ao seu atual
padrasto:
― Pai eu imploro por seu perdão. Venho
diante a professores, colegas, pais para rogar por sua absolvição e a estimada
clemência de seu companheiro Pepe. Gostaria, caso me perdoasse, que ambos
subissem no palco e viessem até mim. Não dê importância ao pensamento ou
julgamento alheio, pois nada disso importa mais para mim. O que realmente me
preocupa é o bem estar de ambos, das pessoas que eu mais amo. O julgamento das
pessoas em relação às nossas vidas é algo que abomino não me importo e coloco
em segundo plano. Priorizo primeiramente o seu bem estar, sua felicidade e
também a de seu companheiro Pepe. O amor entre vocês é tão intenso, arrebatador
que quando ambos estão juntos o sol se esconde atrás das nuvens com vergonha de
não brilhar mais que o sentimento, o amor que um sente pelo outro.
Gigio e Pepe, comovidos com todas as
palavras de afeto de Josimar, decidiram subir ao palco. Ao chegarem onde o
aluno estava, o rapaz continuou dizendo seu discurso ao seu pai e ao
companheiro dele e também emocionando muitos convidados:
— Pai, aqui está o filho que tanto o
magoou e que agora, diante de todos, pede, suplica, implora por seu perdão. Sei
que você ainda acha que não sou digno, que não mereço sua absolvição. Mas quero
que saiba que refleti profundamente sobre minhas atitudes e me arrependi,
intensamente, por todas as ações intransigentes durante nosso último encontro e
conversa e que o fez sofrer em demasia. Muitos invejam todo o amor que ambos
sentem por mim e fariam tudo para estarem em meu lugar. Por isso, digo a todos
que tiveram a oportunidade de nos presentearem com suas presenças:
— “Tenho muito orgulho e prazer em dizer
que fui agraciado em minha vida por ter, não somente um, mas dois pais”. Agradeço
todos os dias através de minhas orações o fato de ter sido agraciado, abençoado
pelo nosso Criador, Deus, por poder possuir duas pessoas maravilhosas que
ajudaram durante toda minha evolução. Sei que vivo em um mundo repleto de
pessoas egoístas, maléficas, com um coração tão duro quanto uma rocha. Mas
também não posso generalizar, pois há pessoas totalmente contrárias às
indiferenças e que aceitam tudo o que é diferente diante à sociedade. Meus
queridos e amados pais, obrigado por toda sua compreensão, todo seu afeto,
amor, carinho, paciência que continuam tendo por mim mesmo após tantas
grosserias, brigas a intensidade de seus sentimentos em relação a mim parece
aumentar a cada dia que passa. Muitos imploram, realizam diversos tipos de atos
para fazerem seus filhos terem uma vida regrada de benfeitorias, bons costumes,
compreensão, carinho, amor. Muitas crianças são desprovidas de terem grande
parte das coisas que tive durante minha criação. Não tenho nenhum rancor,
sentimento negativo em relação ao fato de ter sido adotado. Sinto muito orgulho
ao dizer que ao invés de um pai possuo dois que fizeram de tudo para que eu
pudesse ter uma excelente criação, que não enfrentasse nenhum tipo de preconceito
e fariam qualquer coisa, do possível ao impossível, moveriam céu e mar para
nunca me verem sofrer, mesmo sabendo o quanto a nossa atual sociedade é
totalmente retrógrada.
Após ouvir todas as palavras ditas por
César no palco diante todos os convidados do evento, os dois pais se
emocionaram intensivamente. Tremiam pela forte emoção além de chorarem
incontrolavelmente como duas crianças de colo. Foi então que Gigio, contendo
seu nervosismo e suas lágrimas, decidiu fazer uma declaração homenageando seu
filho:
— Filho, quero que saiba que nada ou
ninguém jamais me impedirá de amá-lo. Mesmo após tudo o que foi dito por você
em nossa última conversa, após descobrir através de conversas alheias, fofocas
sobre minha verdadeira história, sei que tais palavras foram usadas durante uma
privação de raciocínio e por ter descoberto tudo após muitos anos. As pessoas
não entendem que o amor brota em qualquer lugar, mesmo nos ambientes mais
difíceis de germinar uma semente. Todos podem amar. Até mesmo os mais brutos
animais são vítimas desse sentimento maravilhoso. Mas desde que sua mãe partiu
e Pepe entrou em minha vida para completar o vazio e fechar as lacunas abertas
pela dor da partida, tudo se transformou completamente. Ele não somente ajudou
a criar você, não permitiu faltar nada em nossas vidas, mas também me auxiliou
nos momentos mais difíceis nunca me abandonando mesmo quando enfrentávamos
terríveis e variadas dificuldades.
Emocionado com todas as palavras de
agradecimento ditas por Josimar durante a formatura, Gigio continuou mostrando
grande comoção dizendo em seu discurso:
— Pepe foi um grande alicerce em sua
criação, pois quando você ficava doente, ele entrava em desespero e revezávamos
os dias e noites quando precisávamos cuidar de você. Ele ajudava em seus
deveres, cozinhava sempre as comidas que você mais gostava de comer, levava
você à escola, sempre o presenteava com os melhores presentes e quando não
tinha condições para satisfazer seus pedidos, ele utilizava diversos recursos
para conseguir dinheiro e para não deixar ninguém da casa passar por
necessidade. Pepe sempre preferiu pensar mais em nosso bem estar do que em suas
prioridades, suas maiores necessidades. Ele ainda gostava de conhecer
diferentes lugares no Brasil e no mundo e sempre que surgia algum tempo e
oportunidade íamos conhecer as belezas que o mundo possui e esconde. Gigio
ainda complementou durante sua homenagem a seu filho:
― Filho, quero que saiba que Pepe tem
ainda como grande qualidade o fato de estar sempre sorrindo e nunca deixar
ninguém ficar abatido com a tristeza. Mesmo nos momentos mais difíceis,
tristes, ele conseguia sorrir, mostrar uma alegria contagiante, contava piadas,
criava brincadeiras, fazia imitações. Ele conseguia arrancar um sorriso mesmo
na face dos mais sisudos, mais sérios, ríspidos. Adquiri tais características
devido ao longos anos de convivência, de relacionamento e compreensão.
Para finalizar, disse Gigio, gostaria
de dizer mais algumas palavras para concluir meu discurso em homenagem ao meu
amado filho:
— Meu querido e amado filho, quero que
saiba que você sempre será nossa razão de viver. Muitas pessoas não entendem ou
se fazem de desentendidas quando o assunto debatido é o amor. Apesar de
sabermos que ele não tem uma definição apropriada, todos sabemos e temos em
nossas mentes que jamais existiu alguém que nunca amou. Quero que você se
orgulhe pelo que fazemos por e para você e não pelo que falam de nós ou a
imagem distorcida que constroem a nosso respeito. Deus pode e tem o poder de
julgar, coisa que nenhum ser-humano pode fazer, pois esse ato não foi permitido
por ele a nenhum de nós. O amor indescritível que sinto por seu padrasto foi
capaz de fazer com que enfrentássemos diversas dificuldades, derrubássemos
inúmeras barreiras como o preconceito e a falta de compreensão.
Ele estendeu as mãos para mim nos
maiores momentos de dificuldades, quando sentia um abismo abrir debaixo dos
meus pés. Quando fui intoxicado pelas dores do sofrimento, ele foi a principal
cura. Mas o que mais nos faz sobrepujar tamanhas dificuldades é o fato de você,
meu filho, sempre estar ao nosso lado. Seu entendimento é o alicerce de nosso
mundo, a visão nos momentos mais obscuros, veio para preencher o vazio em
nossas almas e corações. Agradecemos todos os dias a Deus por você fazer parte
de nossa vida, pois o fato de você ser nosso filho fez nosso universo abranger
maior expansão.


