terça-feira, 11 de janeiro de 2022

SOBRE O AUTOR DO BLOG

    As poesias e as letras de músicas me acompanham desde o início da adolescência, quando os sonhos se ebuliam na minha mente. Eram os sentimentos que se manifestavam. Era a expectativa do futuro. Era eu me conhecendo aos poucos.

Escrevi muitos poemas e textos com a minha visão otimista da vida, mas também expressei as minhas indignações, frustrações e experiências (nem sempre boas, mas aproveitadas da melhor forma possível). Sempre reflito sobre os melhores caminhos para se chegar à felicidade, embora eu tenha a convicção de que ninguém a atinge plenamente, porque somos imperfeitos e vulneráveis às tentações e a ganância peculiar dos “Seres Humanos”.

Apaixonado pelas letras e seu poder de personificação de pensamentos e sentimentos, exponho aqui um pouco da minha “esquizofrenia” em forma um pouco poética… Algumas vezes, expressões de ideias reais e outras, simples organização de palavras na verdade.

​     Espero que se divirtam com as poesias ou que, de repente, elas possam ajudar de alguma forma.

Não são poucas as pessoas que se expressam em palavras escritas. São frases soltas, um parágrafo, um pequeno texto, uma longa redação, um conto, um verso, uma poesia. Estes pensamentos normalmente ficam guardados: no fundo de uma gaveta, no papel dentro do livro, no arquivo de computador. Às vezes viram o verso do papel da lista de compras, do desenho do filho, da anotação de um recado. Ou ainda, amassados, vão para o lixo. Tantas ideias, tantas emoções paradas, guardadas. Mas era esta a finalidade, não era? Quando escrevemos, muitas vezes queríamos apenas isso, escrever. Escrever para nós mesmos, para desabafar, para chorar sozinho, para nos testar, para não esquecer. 

Porém, algumas pessoas resolvem publicar em suas redes sociais estes pequenos textos e descobrem que eles chegam a outras pessoas. Eles dão suas opiniões, fazem elogios e críticas. E assim, aquela ideia acaba virando um debate, um questionamento.

Sem receio, sem nenhuma intenção, despretensioso… é isso que queremos. Podemos usar palavras simples ou rebuscadas. Podemos questionar. Podemos colocar o texto de uma maneira diferente. Podemos até mesmo rir daquilo que escrevemos. Não somos profissionais. 

Portanto, só estou dando uma passadinha por aqui escrevendo “Um Texto para Mim”… pelo menos era o que eu pensava…

O objetivo principal que tenho ao usar minhas palavras neste espaço é levar a todos uma boa leitura, fazendo com que seja despertado o prazer pela literatura e o espírito literário que cada um tem dentro de si. Divulgar meus textos e fazer a mente e o corpo liberar sentimentos do leitor(a) à cada palavra, frase e parágrafo lido.

Antes de qualquer coisa, devo dizer que tenho a necessidade de processar as minha vivências e sentimentos em formas de textos escritos. Texto poético, prosado, musical, mas sempre texto.

A minha paz vira texto, a minha raiva, o meu amor, a minha tristeza, tudo sintetizado em linhas, letras, quem sabe rimas, quem sabe refrões.

    Apesar disso, não desisto de ser feliz, entende? Ser feliz e tornar alegre, satisfeito aqueles que me cercam. A felicidade para mim é viver em paz comigo mesmo e os outros, mas assumo ainda não ter achado esse termo específico que muitos denominam como “FELICIDADE”.

​    Não serei aquele quem canta as belezas afora, ou mesmo o que vive em busca de alguma coisa própria que possa abranger minha inspiração e me ajude a ampliar minha criatividade para escrever. 

Quero fazer o que gosto e ser feliz a qualquer momento, enquanto puder como puder e com quem puder. As palavras, ideias serão diversas, para começar elas bastarão. Entre uma ou outra também publicarei algumas poesias de autoria minha, ou alguma que eu tenha gostado.

A poesia vem a nós nas mais variadas horas, não nos cabe julga-la, ou entende-la de um só modo, nem mesmo, em hipótese alguma, “NUNCA”, forçar outra pessoa a concordar com o nosso entendimento, pois o sentimento é uma experiência individual, claro que (quase) tudo pode ser compartilhado, mas nesse quesito, nada deve ser imposto.    

domingo, 16 de agosto de 2020

PROFESSOR VIRTUAL

HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA


A história da literatura brasileira é dividida considerando os diversos movimentos ou escolas literárias. Ao estudar determinada época literária, percebe-se que há temas e formas de se expressar comuns aos vários autores daquele período. 
É muito difícil estabelecer uma data para indicar quando se acaba uma escola literária e se inicia outra. Contudo, para situar os diversos estilos em tempo cronológico, estabeleceram-se marcos iniciais que indicam o surgimento de um novo estilo por meio da publicação de obra inovadora ou de um fato histórico. 
A Era Colonial abrange o Quinhentismo (de 1500, ano do descobrimento, a 1601), o Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768), o Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1836). 
A Era Nacional, por sua vez, envolve o Romantismo (de 1836 a 1881), o Realismo-Naturalismo e o Parnasianismo (de 1881 a 1893), o Simbolismo (de 1893 a 1922), o Pré-Modernismo (de 1902 a 1922) e o Modernismo (de 1922 a 1945). A partir daí, o que está em estudo é a contemporaneidade da literatura brasileira.

OS PERÍODOS DA LITERATURA BRASILEIRA

A literatura brasileira tem sua história dividida em duas grandes eras, que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um período de transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas escolas literárias ou estilos de época.

RESUMO DAS ESCOLAS LITERÁRIAS BRASILEIRAS

Quinhentismo
 Entende-se por Quinhentismo as manifestações literárias ocorridas no Brasil durante o século XVI tinham como objetivo descrever a nova terra e converter os índios ao catolicismo. 
 A história da literatura brasileira apresenta como marco inicial a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei dom Manuel (1469-1521), de 1500, na qual se relatavam o descobrimento do Brasil e as primeiras impressões do novo território. 
 Enquanto a Europa vivia intensamente o período renascentista, a produção literária no território recém-descoberto ainda estava impregnada dos valores literários medievais.
Nesse contexto, predominaram duas vertentes literárias: a informativa, representada por Pero Vaz de Caminha, e a catequética (ou jesuítica), representada pelo padre José de Anchieta (1534-1597).

Barroco
O Barroco foi marcado pelos conflitos da época, que se dividia entre antropocentrismo e teocentrismo, na qual o ser humano vivenciava grandes dilemas existenciais.
O homem barroco impunha-se, de maneira angustiada, o avanço do racionalismo da burguesia. Isso se refletiu na produção artística que acompanhava esse movimento, a qual era pautada por angústia, desejo de fuga e ilimitado subjetivismo.
Durante o Barroco, ainda não havia no Brasil colônia todos os elementos de um sistema literário, mas alguns autores isolados, que viviam, principalmente, em Salvador e em Recife, já que a vida econômica da colônia era mais desenvolvida no Nordeste.
O marco do Barroco brasileiro foi o poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, escrito em 1601. Além desse autor, merecem destaque dois escritores que surgiram na Bahia: padre Antônio Vieira e Gregório de Matos.

Arcadismo
 No Brasil, os poetas árcades (que se designavam “pastores”) seguem os mesmos ideais estéticos do Arcadismo português. Os poemas revelam a valorização da simplicidade e do bucolismo, o culto ao natural e ao singelo, e a imitação dos modelos clássicos. A temática do Carpe Diem (“aproveite o dia”) também é bastante evidente em grande parte dos poemas árcades.
O Arcadismo trouxe para o Brasil temas e convenções artísticas do Ocidente europeu; no entanto, foi nesse período que surgiram os primeiros traços de uma literatura que ansiava por afastar-se dos modelos de sua metrópole, em busca de uma identidade brasileira.
Seus principais representantes foram: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama e Santa Rita Durão.

Romantismo
 No Brasil, o Romantismo iniciou-se em 1836 com a obra Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães e teve três gerações:
1ª Geração: denominada nacionalista ou indianista. A pátria, caracterizada por sua natureza exuberante, e seus primeiros habitantes, os indígenas, são os elementos de destaque. Cultiva também outros temas caros aos românticos, como o sentimentalismo e a religiosidade. Gonçalves de Magalhães (1811-1882) e Gonçalves Dias (1823-1864) são os principais representantes desse período.
2ª Geração: denominada ultrarromântica. Nota-se um exagero dos temas românticos, como o subjetivismo, o pessimismo, o tédio e a melancolia. A paisagem noturna/soturna ganha destaque. Há uma supervalorização da morte como solução dos problemas. Álvares de Azevedo (1831-1852), Junqueira Freire (1832-1855), Fagundes Varela (1841-1875) e Casimiro de Abreu (1839-1860) são os principais representantes dessa geração.
3ª Geração: denominada condoreira ou social. O individualismo excessivo e ultrarromântico vai perdendo espaço para uma visão mais próxima da realidade social. Castro Alves (1847-1871), Tobias Barreto (1839-1889) e Sousândrade (1833-1902) são os principais representantes dessa fase.

Realismo e Naturalismo
 O Realismo e Naturalismo no Brasil tem como marco inicial o ano de 1881, com a publicação de duas obras fundamentais: O mulato, de Aluísio Azevedo (naturalista), e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (realista).
Os autores desses estilos têm a tendência de privilegiar a visão racional do mundo e da sociedade humana, o que os leva a desenvolverem, via de regra, uma arte engajada, ou seja, uma arte de compromisso com a dignidade do ser humano e com a justiça social.
Essa intenção é implementada por meio das denúncias que fazem em suas obras dos chamados crimes sociais, cometidos cotidianamente por instituições oficiais ou não, ou por grupos alojados no poder político e/ou econômico, ou mesmo por ações de um indivíduo qualquer contra outro, socialmente mais frágil.
O Naturalismo é considerado um complemento do Realismo, nele há um determinismo, em que se afirma que a obra de arte seria determinada por três fatores: meio, momento e raça. Além, ainda, do cientificismo, que aparece como grande influência dos autores da vertente naturalista.
Os principais representantes foram Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompéia, Adolfo Caminha, Júlio Ribeiro e Inglês de Souza.

Parnasianismo
 O Parnasianismo teve origem na França e representou, na poesia, ideal estético da “arte pela arte’’ e o retorno à orientação clássica, que busca o equilíbrio e a perfeição formal.
No Brasil, o Parnasianismo exerceu forte influência nos meios artísticos, e seus poetas alcançaram um sucesso até então nunca obtido por poetas. O marco inicial foi a publicação da obra Fanfarras, em 1882, com poemas de Teófilo Dias (1854-1889).
Após um começo pouco impactante, influenciado por Artur de Oliveira (1851-1882), o movimento foi adquirindo maior expressão e grande prestígio com as obras de Raimundo Correia (1859-1911), Alberto de Oliveira (1857-1937) e, principalmente, de Olavo Bilac (1865-1918), o mais famoso dos poetas parnasianos.

Simbolismo
 Ao negar o cientificismo, a objetividade e o descritivismo dos parnasianos, os poetas simbolistas procuram o incerto, o nebuloso, o vago.
No Brasil, o Simbolismo inicia-se em 1893, com a publicação das obras Missal e Broquéis, do poeta Cruz e Sousa. A forma mais largamente utilizada pelos simbolistas brasileiros foi o poema.
Diferentemente do Simbolismo português, que alcançou destaque nas letras e incentivou a primeira geração modernista, a estética simbolista brasileira sofreu forte rejeição por aqueles que admiravam o Parnasianismo, em especial, por Olavo Bilac (1865-1918).
Como maiores representantes dessa estética no Brasil, destacam-se Cruz e Sousa (1861-1898) e Alphonsus de Guimaraens (1870-1921).

Pré-Modernismo
 O Pré-Modernismo é o período literário que compreende as duas primeiras décadas do século XX e que valorizava acima de tudo discutir a realidade social e política do Brasil.
Didaticamente pauta-se por critérios cronológicos e está compreendido entre 1902 – ano da publicação de Os sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909), e de Canaã, de Graça Aranha (1868-1931) – e 1922 – ano da realização da Semana de Arte Moderna, em São Paulo. O período conta com grande diversidade de estilos e autores.
Convivem durante esse período tendências conservadoras e renovadoras. A postura conservadora é aquela em que ainda há traços positivistas e deterministas que fundamentaram o Realismo e seus desdobramentos Naturalismo, Simbolismo e Parnasianismo).
Já na postura renovadora encontra-se um grupo de escritores preocupados em incorporar a realidade ao fazer literário, de maneira crítica, apresentando, dessa forma, uma maior preocupação político-social em suas obras.
Principais autores: Graça Aranha, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos.

Modernismo
 A Semana de Arte Moderna, que aconteceu no período de 11 a 18 de fevereiro de 1922, marca o início o oficial do movimento modernista brasileiro. Ele costuma ser dividido em 3 fases:

A primeira fase do Modernismo brasileiro (geração de 22) notabilizou-se por abrir caminhos vanguardistas para um público que ainda flertava com a estética parnasiana tardia. 

Destaques: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.
Na segunda fase, que ocorre a partir dos anos 1930, a poesia brasileira mistura a liberdade formal (conquistada pela geração de 22) com os recursos tradicionais da literatura; a prosa, por sua vez, torna-se menos preocupada com o como dizer e mais com o que dizer. Os escritores da geração de 30 se preocupam mais em registrar os problemas da realidade brasileira do que em experimentar novas formas de linguagem. 

Destaques: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Jorge Amado.

Diferentemente do espírito radical presente na primeira fase, na terceira fase (geração de 1945), os autores retomam uma atitude mais formal em suas produções, indo na contramão da liberdade desenvolvida nas gerações modernistas anteriores. Outras características dessa fase são: produção de contos fantásticos; inovações na linguagem e uso da função metalinguística; produção de uma literatura experimental; uso de temáticas sociais e humanas, tendo o regionalismo universal como destaque; e linguagem mais objetiva. 

Destaques: Clarice Lispector, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto.

LITERATURA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA

Na segunda metade do século XX, houve poucos movimentos literários e poéticos duradouros e organizados no Brasil. No campo da poesia, por exemplo, o Concretismo e o Tropicalismo, manifestações também ligadas à produção musical e à arte popular, tiveram curta duração como movimentos estéticos estruturados.

Ainda assim, algumas tendências podem ser apontadas como características mais ou menos comuns, sobretudo para os prosadores:

• uma tentativa de mescla de gêneros, em que o romance, o conto, a crônica de costumes e o relato documental se misturam;
• uma narrativa mais direta, sem rodeios, que estabelece um realismo cru. 

      Em algumas produções na prosa, por vezes, há o resgate ou a superação de alguns aspectos da recente tradição literária brasileira. Em outras, são trilhadas veredas ainda não seguidas por nenhum escritor brasileiro, à semelhança da narrativa bruta e obsessivamente objetiva de Rubem Fonseca (1925) ou dos contos mínimos de Dalton Trevisan (1925).

Em relação à poesia, embora afirmem-se como artistas de talento, premiados e reconhecidos pela crítica e pelo público, os contemporâneos não seguem uma única tendência estética nem apresentam um estilo semelhante. São poetas que falam de seu tempo com uma linguagem que busca, acima de tudo, uma aproximação com o leitor.


Em relação ao teatro, a partir de 1943, com a apresentação da peça Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi inaugurado um novo cenário na história do teatro brasileiro. Essa peça revolucionou a dramaturgia nacional, que passou a contar com importantes autores, como Ariano Suassuna (1927), Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e Dias Gomes (1922-1999), entre outros.

É PELAS PALAVRAS QUE CONHECEMOS AS PESSOAS


Certa vez um homem invejoso veio a encontrar o homem de quem mais sentiu inveja, então começou a insultá-lo. O bom homem apenas ouviu calado. Então, já casando o invejoso se retirou e foi embora.
─ Senhor, porque não revidastes as agressões verbais que aquele homem te fez?
─ Cada um só pode dar ao outro o que possui no coração. Eu não posso pagar com uma coisa que não possuo dentro de mim, mas ao ficar calado eu não aceitei o seu presente, então ele o levou consigo.
Reconhece-se a árvore pelos frutos; O homem bom ou mau, só consegue dar verdadeiramente aquilo de que seu coração está abastecido.
Paulo Fernandesky

quinta-feira, 18 de junho de 2020

O MAIOR AMOR E AS COISAS QUE SE AMAM


Tomara poder desempenhar-me, sem hesitações nem ansiedades, deste mandato subjetivo cuja execução por demorada ou imperfeita me tortura e dormir descansadamente, fosse onde fosse, plátano ou cedro que me cobrisse, levando na alma como uma parcela do mundo, entre uma saudade e uma aspiração, a consciência de um dever cumprido.

Mas dia a dia o que vejo em torno meu me aponta novos deveres, novas responsabilidades da minha inteligência para com o meu senso moral. Hora a hora a (...) que escreve as sátiras surge colérica em mim. Hora a hora a expressão me falha. Hora a hora a vontade fraqueja. Hora a hora sinto avançar sobre mim o tempo. Hora a hora me conheço, mãos inúteis e olhar amargurado, levando para a terra fria uma alma que não soube contar, um coração já apodrecido, morto já e na estagnação da aspiração indefinida, inutilizada.

Nem choro. Como chorar? Eu desejaria poder querer (desejar) trabalhar, febrilmente trabalhar para que esta pátria que vós não conheceis fosse grande como o sentimento que eu sinto quando n'ela penso. Nada faço. Nem a mim mesmo ouso dizer: amo a pátria, amo a humanidade.

Parece um cinismo supremo. Para comigo mesmo tenho um pudor em dizê-lo. Só aqui lh'o registo sobre papel, acanhadamente ainda assim, para que n'alguma parte fique escrito. Sim, fique aqui escrito que amo a pátria funda, (...) doloridamente. Seja dito assim sucinto, para que fique dito. Nada mais.

Não falemos mais. As coisas que se amam, os sentimentos que se afagam guardam-se com a chave d'aquilo a que chamamos «pudor» no cofre do coração. A eloquência profana-os. A arte, revelando-os, torna-os pequenos e vis. O próprio olhar não os deve revelar. Sabeis decerto que o maior amor não é aquele que a palavra suave puramente exprime. Nem é aquele que o olhar diz, nem aquele que a mão comunica tocando levemente n'outra mão.

É aquele que quando dois seres estão juntos, não se olhando nem tocando os envolve como uma nuvem, que lhes (...)

Esse amor não se deve dizer nem revelar. Não se pode falar dele.
Fernando Pessoa, Inéditos.

NÃO TENHO RANCORES NEM ÓDIOS


Pertenço a uma geração que ainda está por vir, cuja alma não conhece já, realmente, a sinceridade e os sentimentos sociais. Por isso não compreendo como é que uma criatura fica desqualificada, nem como é que ela o sente. É oca de sentido, para mim, toda essa (...) das conveniências sociais. Não sinto o que é honra, vergonha, dignidade. São para mim, como para os do meu alto nível nervoso, palavras de uma língua estrangeira, como um som anônimo apenas.

Ao dizerem que me desqualificaram, eu não percebo senão que se fala de mim, mas o sentido da frase escapa-me. Assisto ao que me acontece, de longe, desprendidamente, sorrindo ligeiramente das coisas que acontecem na vida. Hoje, ainda ninguém sente isto; mas um dia virá quem o possa perceber.

Procurei sempre ser espectador da vida, sem me misturar nela. Assim, a isto que se passa comigo, eu assisto como um estranho; salvo que tiro dos pobres acontecimentos que me cercam a volúpia suave de (...).

Não tenho rancor nenhum a quem provocou isto. Eu não tenho rancores nem ódios. Esses sentimentos pertencem àqueles que têm uma opinião, ou uma profissão ou um objetivo na vida. Eu não tenho nada dessas coisas. Tenho na vida o interesse de um decifrador de charadas.

Mas eu não tenho princípios. Hoje defendo uma coisa, amanhã outra. Mas não creio no que defendo hoje, nem amanhã terei fé no que defenderei. Brincar com as ideias e com os sentimentos pareceu-me sempre o destino supremamente belo. Tento realizá-lo quanto posso.

Nunca me tinha sentido desqualificado. Como lhe agradecer ter-me ministrado esse prazer! Ele é uma volúpia suave, como que longínqua.

Não nos entendem, bem sei...

...Assim como criador de anarquias me pareceu sempre o papel digno de um intelectual (dado que a inteligência desintegra e a análise estiola).

Fernando Pessoa, Páginas Íntimas de Auto-Interpretação 

LONGES, MAS NÃO TÃO DISTANTES


Todos os dias no início do alvorecer
Dormem milhares de estrelas deixando o sol nascer
Brilho inconstante faz o gelo dissolver
Estrelas brilhantes lembram olhos a nos ver
Que nos analisam procurando nos entender
Junto às estrelas brilha a Lua fazendo dores diversas se perderem
São esquecidos por seus brilhos esfuziantes não mais terem
Muitas vezes sinto a tristeza tomar conta do meu coração
Junto a ela vem sua irmã conhecida como depressão
Qual o motivo de ter partido sem dizer a verdadeira razão?
Fostes embora sem pensar e se importar com meu sofrer
Não quis saber se com todo sofrimento eu iria morrer
Nem se importou com o reflexo que a dor iria trazer
Foi egoísta quis saber apenas o que a vida iria lhe dar
Não se importou com os sentimentos daquele que quis muito o amar
Com sua partida tive vontade de fazer minha alma subir ao céu
Ser coberto pelas diversas estrelas como um interminável véu
Junto às estrelas e a Lua poderia sempre ver e estar junto com você
Acompanhar todos os seus passos, não deixar nada ruim lhe acontecer
Queria ser um anjo para em um instante por todo céu e universo voar
Poder brilhar mais que o Sol e a escuridão da galáxia ajudar a iluminar
O que adianta por muitas coisas para o ajudar querer desejar
Se você não consegue o sentimento mais forte, meu amor, valorizar
Quis apenas com meus sentimentos e minha vida brincar
Jurei que minha vida unida a sua seria um grande sinal de sorte
Mas a vida me enganou sua partida repentina fez eu clamar pela morte

segunda-feira, 18 de maio de 2020

O RATO QUE AMAVA O GATO


         Era uma vez, em uma ilha muito além dos confins do horizonte, mais longe que a vista podia alcançar um pequeno reino com várias características esquisitas e diferentes chamado Esdrúxulândia. Conhecido por muitos não somente pelas suas grandes belezas, riquezas, mas também pelo diferente e inúmero tipo de moradores com características, peculiaridades, diversidades, em relação ao estereótipo, à forma física, era definido como um local de grandes e inúmeros tipos de particularidades nas quais ninguém havia conseguido descrever sobre o verdadeiro surgimento, pois sua existência e origem eram únicas.

Muitos moradores se questionavam se tudo aquilo poderia ter sido um castigo destinado a alguns deles, pois nem todos apresentavam formas diferentes, grotescas, para pagarem por pecados cometidos durante a vida, e que muitas das deformidades dos moradores atuais fossem reflexos de algum tipo de maldade realizada por seus antepassados.

O reino era governado por um casal que eram ambos muito arrogantes, mesquinhos e totalmente maléficos com todos os moradores do império. Ambos tinham um sonho em comum: desejavam muito ter um bebê.

Muitos diziam que a falta de filhos era consequência das diversas maldades que ambos os governantes costumavam praticar. Escravidão, exploração de trabalho, falta de pagamento eram algumas coisas maléficas nas quais eles costumavam fazer com os moradores do local.
Mesmo tentando de todas as maneiras, usando diversos métodos para terem seu sonho realizado, as diversas tentativas foram em vão.

Dois bruxos, casados há milênios e muito bondosos, vendo toda a maldade praticada no reino, decidiram se passarem como moradores de Esdruxulândia.

O casal de bruxos para não serem reconhecidos tiveram uma excelente ideia: se fantasiarem como mãe e filho. Ao baterem na porta para pedirem por ajuda, criaram uma história para explicar o motivo de estarem ali naquele exato momento e que ninguém desconfiasse.

A mãe da criança, com muitas lágrimas nos olhos e voz soluçante, disse ao rei e rainha:

— Fomos abandonados de uma maneira sem explicação pelo meu marido e pai da criança. Ele era um sujeito sem índole, violento, cruel, desrespeitador. Eu e meu filho passamos por diversos tipos de abusos, atrocidades, fomos diversas vezes violentados. Eu era restrita de sair de casa com meu rebento, fazer denúncias, procurar meus direitos como mãe e esposa.

―Não possuía condições financeiras apropriadas para contratar um advogado para exigir separação, pois ele sonegou todos os nossos bens conquistados durante nosso casamento sendo que grande parte deles foi obtido devido ao meu trabalho. Ele não era adepto das tarefas diárias e costumava realizar vários tipos de ameaças envolvendo eu e meu filho alegando que caso fizesse algum tipo de denúncia envolvendo o nome dele na justiça, seríamos vítimas de mutilação.

—Não aguentava mais ser vítima de tamanha violência. Todas as marcas horríveis no meu corpo e do meu filho são frutos do que aquele homem, com toda sua crueldade fez conosco utilizando todo tipo de agressão, brutalidade. Houve momentos no qual pedíamos a Deus para não nos deixar mais passar por toda aquela aflição brutal e psicológica e nos levar para morarmos juntos Dele e acabar com todo nosso sofrimento. 

—Peço apenas que tenha um pouco de compaixão minha e de meu pequeno e amado filho e supra nossa fome apenas com um pouco de seu farto alimento e permita que permaneçamos num local do castelo para que possamos nos esquentar e acabar com nosso frio acarretado por esta incessante chuva. Apenas um dia de moradia no castelo, uma noite de sono para podermos descansar será o suficiente para que não nos tornemos vítimas de algum tipo de doença.

Vendo sua grotesca, horrenda aparência, ambos os governantes trataram os dois visitantes da pior maneira possível. Pediram aos guardas reais para enxotá-los. Decidiram fazer com que e batessem naquela família de mãe e filho compulsivamente sem nenhum tipo de dó. Os reis diziam que o castelo era local para ser frequentado pela estirpe, por pessoas de alto calão, que possuíssem “sangue azul” nas veias. E concluíram dizendo:

— Só não mandamos tirar a sua velha vida e de seu filho por não fazermos e nem permitirmos que nossos guardas reais pratiquem este tipo de atrocidade. A morte é algo nesta vida na qual não somos adeptos.

Vendo que ambos os governantes tinham grande maldade na alma e no coração, voltaram a forma real de marido e mulher e jogaram uma maldição no casal real. Os bruxos disseram:

—Por apresentarem tamanha maldade e nenhum tipo de bondade dentro de si, passarão deste dia até melhorarem ambos os comportamentos por uma maldição como prova. Serão privados de não terem filhos. Esta praga será apenas finalizada no dia que o reino for tomado novamente de grande alegria, os moradores serem tratados de uma maneira mais benevolente, apropriada, não serem vítimas de trabalhos escravistas, violentos, jamais houver algum tipo maldade no coração e alma do casal real. Após jogar a maldição, o casal de bruxos desapareceu tão rápido como surgiram.

O casal real, devido a maldição, passaram a sofrer muito por não poderem ter mais filhos e por isso eram tomados por diversos tipos de problemas pessoais como, por exemplo, grande e diária tristeza seguida por uma profunda depressão.

O reino era habitado por animais, pessoas e plantas que falavam, raciocinavam, utilizavam vários tipos de termos, idiomas, linguagens para se comunicarem, trocarem conhecimentos, experiências, histórias de vida e até mesmo expressarem seus mais profundos sentimentos não somente entre os diferenciados moradores mas também os inúmeros tipos de visitantes que costumavam aquele império visitar.

Mesmo sendo considerados, definidos por muitos como aberrações por terem sido frutos, resultados de experiências mal sucedidas por apresentarem corpo de um ser vivo e cabeça de outro, alguns dos habitantes do reino se auto definiam como seres-vivos felizes e não se importavam com as opiniões alheias. O que mais importava eram os diferentes tipos de sentimentos que muitos tinham um pelo outro.

Muitos que conheciam o reino apenas através das definições e descrições alheias, costumavam utilizar diferentes tipos de termos, adjetivos pejorativos, como por exemplo, a palavra estrambótica para definir as diferentes coisas horrendas no qual o reino possuía. 

Neste reino vivia um gato que, além de possuir uma aparência muito distinta a dos outros felinos, possuía um nome muito incomum. Assim que nasceu e sua família se deparou com todas as suas deformidades, defeitos e nenhuma beleza, decidiram dar o nome daquela horrenda criatura de “Gabiru”.

Após o nascimento, Gabiru foi desprezado, discriminado, humilhado por apresentar diferenças incomuns entre os seis irmãos felinos e não possuir nenhum tipo de beleza. Sua mãe e família o definiram como sendo uma experiência mal sucedida da natureza e para suprir todo aquele descontentamento decidiram colocar o próprio filho para adoção.

Mas por todas suas inúmeras deformidades, ele sofreu vários tipos de discriminações, rejeições pelos diversos tipos de pais adotivos e, desta maneira, não foi aceito por eles para ser adotado.

Muitos chegavam a questionar o local de adoção se a criança era vítima de algum tipo de problema de saúde contagiosa, algo que o levasse a falecer futuramente, quanto tempo de vida ele ainda possuía e quais os motivos que deixaram aqueles vários tipos de sequelas no corpo do gato. Eram coisas nas quais nenhum tipo de especialista tinha conseguido explicar até aquele momento.

Durante as primeiras visitas, ao verem que o pequeno e grotesco felino Gabiru não apresentava nenhuma beleza fisionômica, muitos se assustavam com toda sua aparência grotesca e devido a isso era rejeitado logo no princípio, não tendo direito a uma segunda visita devido à falta de interesse dos adotantes.

Muitos locais ao se depararem com a horrenda fisionomia de Gabiru inventavam diversos tipos de desculpas como crise econômica relacionada à falta de dinheiro para manter o funcionamento do lugar falta, de alimento apropriado e necessário para manter todos que estavam ali.  

Alegavam também que o ambiente possuía crianças e adolescentes em demasia para adoção e que não comportava mais uma pessoa para ser adotada. Diziam que a fila de espera para adoção crescia cotidianamente e que as crianças que muitos exigiam para adotarem deveriam ter idades inferiores e não compatíveis com a de Gabiru que no momento ainda era recém-nascido mas apresentava uma fisionomia de alguém mais velho.

Após muitas desculpas e faltas de interesses das pessoas e dos locais de adoção de crianças e adolescentes, a família desistiu colocar Gabiru para adoção e o criaram até o início de sua pré-adolescência quando desistiram de conviverem com o bichano e o jogaram, abandonaram ao relento, vítima da violência, atrocidade diária dos grandes locais e também das diversas, inúmeras incompreensões humanas.

Decidiram, desta maneira, colocar o infeliz bichano ao frio e triste relento fazendo com que Deus se incumbisse da sobrevivência diária do mal-amado e maltratado felino.

Apesar de ser um gato, todos deram o nome ao bichano de Gabiru, nome utilizado no dicionário para definir um peculiar tipo de rato grande no qual possui quase o tamanho de um felino.

Esta qualificação do nome também foi escolhida por todos para definir detalhadamente seu estereótipo, aspecto fisionômico, sua aparência totalmente deformada no qual além de ser diferente era totalmente grotesca. O nome do felino apresentavam outras características. Tem como verdadeiro significado, alguém esperto, astuto, matreiro, malandro, conquistador, mulherengo, características nas quais ele não apresentava.

Ele era o mais novo de uma família de sete irmãos sendo eles todos homens. Assim que nasceu, passou a ser desprezado, humilhado, discriminado não somente por toda sua família, mãe, pai, irmãos e antigos donos, mas por todos aqueles que o cercavam e viviam naquele reino pois era o único entre seus irmãos que apresentava uma aparência considerada por todos como grotesca, medonha, assustadora.

Após seu nascimento, ao se depararem pela primeira vez com aquele animal tão diferente dos demais, tendo aquela aparência considerada por muitos como assustadora, grotesca, que lembrava a de um verdadeiro monstro, seus antigos donos e familiares decidiram jogá-lo, abandoná-lo pelas ruas do reino sem nenhum sentimento de pena, como algo inutilizável, como um saco de entulhos sem valor.

Ambas as famílias, tanto a verdadeira quanto a adotiva, ao verem aquela imagem tão aterradora, tenebrosa, tétrica, medonha, muitas vezes pensaram em cometer diversos tipos de atrocidades com o pequeno recém – nascido gato Gabiru.

Durante sua vida, ele, então, passou a morar cada dia em um canto do reino, enfrentar todos os momentos um tipo de problema e inúmeras necessidades. Mas mesmo assim sempre se mostrou forte diante às inúmeras, incontáveis dificuldades. Sua força, persistência e otimismo foram algumas das fontes que o levaram a nunca desanimar e deixar de lutar pela vida. Sua grande fé também foi um forte motivo, um grande escudo que o protegeu contra todo tipo de sentimento negativo não permitindo que nada ou ninguém o abatesse.

O tempo foi passando e os traços físicos do gato foram se transformando, deixando o felino cada vez mais assustador. Ele sofria cada vez mais para conseguir alimentos que pudessem ainda ser aproveitados e que conseguissem acabar com sua fome.

Gabiru, andando solitário e faminto pelos becos, chegou a se questionar inúmeras vezes sobre como conseguiu sobreviver, abandonado e esquecido e também como chegou a passar numerosos dias sentindo tão grande falta de alimentos que o ajudassem superar seu imensurável apetite. Por que as pessoas possuem um coração tão rígido, sólido como uma rocha, são assim tão maldosos a chegarem a tal ponto de julgar alguém sem antes conhecer pessoalmente? Será que muitos desconhecem, ignoram o fato que durante inúmeras vezes a verdadeira imagem está invisível aos nossos olhos, ou seja, apenas conhecemos realmente a pessoa através da convivência diária? Em outras palavras, será que vemos apenas o que realmente nossos olhos desejam ver? Que o real apenas é visto com o coração, pois é nele que persistem em manter moradia os incontáveis sentimentos? O restante está obscuro, escondido para uma análise mais detalhada e profunda, se perguntou de uma maneira mais filosófica e detalhista o Gato Gabiru.

Outros tipos de dificuldades enfrentadas por Gabiru durante sua vida sofrida caminhando pelos becos dos inúmeros reinos que ele destinava a caminhar eram o frio diário, aumento da violência e drogas, solidão e lidava com uma grande crise de depressão devido a todos os problemas que enfrentava, pois tentou em diversas vezes tirar sua própria vida, acabar definitivamente com o seu sentido de viver.

Teve várias vezes vontade de ter um amigo verdadeiro, alguém que pudesse conversar e confiar seus mais profundos segredos, compartilhar todas as suas histórias. Mas sempre foi esnobado, sofria vários tipos de preconceitos por ser diferente dos demais, possuir uma aparência considerada por todos, tão grotesca, horrenda e que muitos denominavam mórbida devido ao fato dele passar fome em demasia e suas características físicas serem semelhantes a de uma caveira, um esqueleto.

Também foi vítima de muita violência nas ruas frias, violentas e escuras, iluminadas raramente pelas estrelas e a lua, por onde transitava sempre sozinho. Ao se depararem com Gabiru, com um aspecto todo deformado, muitas pessoas que o viam perambulando sem rumo acreditavam que alguns dos problemas em seu aspecto físico eram devido aos inúmeros tipos de selvagerias, brutalidades que ele sofreu.

As pessoas acompanhavam de perto toda a selvageria no qual o gato foi submetido, como algum tipo de espetáculo de horror, sem fazer nada para impedir toda aquela atrocidade, pois todo aquele tipo diferenciado de brutalidade costumava chamar muito a atenção pelos diversos tipos de atos medonhos, maldosos, o uso excessivo, em grande escala de força física que realizavam com o pobre e infeliz bichano.

Muitos riam e até aplaudiam achando que tudo aquilo, todo aquele sofrimento fazia parte de algum tipo de apresentação pública gratuita. Seu miado lembrava um grito clamando ajuda, ecoando ao vento por todos os cantos da cidade, exprimindo toda a dor sentida por ele durante aquela agressão sem sentido no qual ele sempre foi vítima.

Enfrentou também a grande falta de solidariedade das pessoas em relação ao que é considerado diferente, pois elas não possuíam nenhum tipo de sentimento puro e verdadeiro para ajudá-lo naqueles momentos tão difíceis. Pensavam apenas em si e nunca nos interesses, benefícios e necessidades de seus semelhantes. Eram totalmente egoístas e egocêntricos. Ele definia a alma de tais pessoas como uma aparência mais grotesca que sua própria fisionomia.

Devido a seu aspecto mais que diferente do que costumava ser convencional no reino onde morava, Gabiru, então, passou a sofrer muito com os diversos tipos de preconceitos. Ele via que o que realmente as pessoas admiravam, idolatravam era a parte estética, física, da beleza e não o sentimental e o nosso lado interior. Ele definia cada ser - humano ao seu redor como um produto exposto numa vitrine e que esteja à venda onde o que mais costuma fazer sucesso é aquele que apresenta melhor embalagem e preço.

Muitas pessoas o julgavam como um ser de outro mundo. Outros achavam que foi uma experiência mal sucedida. Ele era um gato que possuía características muito destacadas e distintas dos demais da sua espécie. Seu pelo possuía inúmeras imperfeições. Diziam que ele já estava ficando calvo e muitos achavam que ele possuía algum tipo de doença contagiosa por apresentar aquela aparência.

Mas não era somente esta característica que chamava a atenção dos moradores de todo o reino. Ele era totalmente curvado, corcunda. Muitos diziam que suas costas lembravam as corcovas de um camelo ou até mesmo de um dromedário. Outros diziam que suas costas lembravam um escorregador de um parque infantil pelo fato dela possuir um formato tão côncavo.

Os olhos possuíam colorações desiguais, um verde e outro que lembrava a cor de uma flor, ou seja totalmente violeta, puxado um pouco para a tonalidade do púrpuro. Além disso, era totalmente caolho, estrábico, enxergava tudo de uma maneira totalmente torta, distorcida.

Muitos faziam comentários maldosos relacionados à sua maneira de olhar, distinguir as coisas ao seu redor. Diziam que ele tinha um olho no peixe e outro no rato. Que seus olhos e seus óculos lembravam, em uso conjunto, uma estrada durante a noite com vários caminhões e ônibus trafegando incessantemente. Usava óculos que cobria quase toda sua face. As lentes eram tão amplas, medonhas, grotescas, descomunais que chegavam até a lembrar do tamanho de um binóculo.

Mas para melhorar sua maneira de enxergar coisas e pessoas que ele nunca teve oportunidade um dia ver, ele decidiu optar pelo uso diário de óculos. Recorreu a isso por grande necessidade e não por simples brincadeira, ou seja, decidiu colocar para melhorar a visão dos objetos ou pessoas que estavam próximas ou a uma grande distância.

Muitos faziam diversos tipos de brincadeiras mal-intencionadas com o problema das muitas dificuldades dele para enxergar, de ver tudo de uma maneira toda distorcida, alterada.

As pessoas costumavam inventar diversos tipos de histórias maliciosas, sem nenhum tipo de dó ou até mesmo piedade e compaixão, piadas sem nenhum tom de graça para se referirem ao problema de visão que o bichano enfrentava.

Diziam que, o fato dele possuir este tipo de complicação, de seus olhos serem diferentes, sua visão ser totalmente distorcida, fazia com que ele também tivesse um olho no peixe e o outro no rato. Isso muitas vezes o deixava cabisbaixo, triste, depressivo.

Gabiru ainda tinha outros problemas físicos em seu corpo como os de suas duas orelhas e o do seu rabo. Eram danos estéticos visíveis duradouros e que também causavam constrangimento, vergonha, sofrimento a ele. Em outras palavras, possuíam tamanhos distintos sendo que uma delas quase não aparecia em sua cabeça por ser tão pequena. A outra possuía um grande formato no qual lembrava longas mechas de cabelos. Em outras palavras, eram diferentes do convencional, fora da proporção correta e do comum. O fato de possuir ouvidos com deformidades, ou seja, uma delas era maior que a outra ele, fazia com que o gato enfrentasse muitos tipos de problemas para ouvir os diversos tipos de sons ao seu redor.

Muitos ainda diziam que o formato do seu corpo era de uma bola de praia enfeitada. Este comentário se dava ao fato do seu peso estar acima do normal. Mas a consequência dele estar gordo não era pelo fato dele comer muito após passar alguns dias enfrentando a fome, quando encontrava alimento, comia sem parar.
Outra coisa que falavam do corpo de Gabiru era o fato dele ter nascido com um nariz que mais lembrava uma cenoura não pela cor e sim pelo comprimento: muito grande e comprido. Todos sabiam que gatos nasciam com narizes pequenos, delicados, normais. Mas os diversos tipos de comentários começaram no momento que todos viram e se depararam pela primeira vez, com aquela aberração, como costumavam defini-lo e chamá-lo, perambulando pelas ruas do reino.

Seu nariz era muito avantajado, fora do comum. Outra coisa que os moradores do reino acreditavam era o fato de que caso o pequeno e esquisito bichano mentisse, seu nariz iria mudar no formato, ou seja, tanto em tamanho como em largura. 

Além disso, ele ainda nasceu com uma terrível dificuldade para se movimentar e costumava mancar constantemente, ou seja, era um ato que se repetia regularmente e com grande frequência. Entre todas as suas quatro patas, ele mancava apenas com duas delas, sendo que os dois defeitos encontrados em suas pernas faziam parte de lados diferentes do seu corpo: uma era na parte direita da frente e a outra no lado esquerdo de trás.

Para evitar a colisão diária do seu corpo com o chão, os moradores decidiram, então, amarrar pedaços cortados de madeiras como principal fonte de apoio, sustentação, com a finalidade de substituir as partes das pernas que, desde seu nascimento, faltavam em seu corpo. Desde esse dia, que parte de suas patas foi substituída por pedaços de madeira com intuito de ajudá-lo durante sua caminhada pelos diversos lugares, ele começou a andar melhor. Mas continuou ainda sendo motivo de risos, chacotas de todos os moradores do reino.

Mas, apesar de todas as suas características físicas que as pessoas avaliavam e julgavam serem, além de diferentes, também fora do normal, os moradores ainda consideravam sua aparência como medonha. Muitos descreviam e comparavam sua aparência a de personagens grotescos de filmes de terror.

Apesar de todas as críticas e observações maldosas realizadas pelas pessoas, Gabiru se definia um gato romântico, carinhoso, com alma pura, apaixonado pela vida. Costumava visitar diariamente a pequena paróquia que o reino possuía. Em todas as suas preces cotidianas sempre pedia a Deus que encontrasse uma família que o adotasse, o amasse, aceitasse da maneira como foi colocado por Ele no mundo, pois sabia e acreditava que ele possuía aquela aparência horrível, medonha, assustadora, não era por acaso.

Após pedir encarecidamente por uma família que o amasse, entendesse, estivesse ao seu lado em todos os momentos, suas preces foram atendidas. Ele passou, então, a morar em uma casa muito pequena e simples, junto com uma família muito humilde. Gabiru era funcionário adepto, assíduo do castelo real de Esdruxulândia. Foi contratado após passar por uma intensa entrevista de emprego, concorrendo a uma vaga com muitas pessoas.

O casal real tratava o felino como verdadeiro filho, mesmo vendo que ele possuía uma aparência deformada, eles o amavam por sua bondade, caridade e também por nunca terem os abandonado mesmo nos momentos mais difíceis que ainda passavam de tristeza e depressão por não poderem ter filhos. Tudo isso era reflexo da maldição lançada pelo casal de bruxos no rei e rainha pelas maldades que costumavam praticar. Chegaram a pedir diversas vezes que ele fosse desfrutar das regalias que o reinado possuía e que se tornasse filho de ambos. 

Mas o gato se desculpou diante ao rei e rainha e alegou preferir a vida calma e simples que possuía com seus pais adotivos que sempre o amaram, batalharam pela sua sobrevivência, nunca deixaram nada ao bichano faltar e, segundo ele, este amor era a maior das riquezas que qualquer um pudesse lhe dar.

Mas após uma longa conversa e terem mudado o comportamento diante seus súditos, a rainha começou a notar uma mudança em seu corpo e percebeu que a maldição lançada no casal pelos bruxos já não existia mais. Após alguns meses foram presenteados com o nascimento de um filho, pois foi constatado que os imperadores começaram a tratar todos os moradores do reino de maneira mais apropriada, adequada, sem exploração, melhor fazendo com que houvesse uma mudança positiva em todo o reinado.

O felino ficou feliz com a notícia do nascimento da criança e que o casal real já não era mais vítima da maldição dos bruxos. O gato dizia que apesar de todos os males, o rei e a rainha faziam parte do seu circulo de amizades e que nunca o julgaram pela sua grotesca aparência e deram oportunidades empregatícias quando ele mais necessitou, escutavam calmamente as palavras contendo diferentes tipos de conselhos inteligentes, analíticos, sinceros, perspicazes, construtivos.

Mas o grande sonho de Gabiru era possuir um amigo verdadeiro, coisa na qual naquele lugar era totalmente impossível. Ele dizia que seu único e verdadeiro amigo no qual pode confiar em todos os momentos, sem cessar ou correr o risco de abandoná-lo, sempre foi Deus. Ele considerava aquela amizade algo verdadeiro, pois sempre pode conversar e confiar todos os seus segredos sem ter o risco de contar a ninguém. E o retorno ás suas perguntas podiam demorar algum tempo, mas sempre apareciam com uma resposta muito inteligente e que pudessem ajudar em todos os momentos da minha vida.

Nesta mesma casa, morava também um pequeno rato conhecido por todos pelo nome de “Florisbelo” no qual também era conhecido pelos amigos mais íntimos e próximos pelo carinhoso apelido de “Belo”. Era um ratinho esnobe além de se julgar o mais perfeito das espécies. Adorava cuidar do corpo, era narcisista, além de amar passar muito tempo diante do espelho sempre fazendo a mesma pergunta e esperando uma resposta que nunca chegava aos seus ouvidos:

— Espelho, espelho meu, será que neste mundo há um rato mais belo, gostoso e perfeito do que eu?

Certa vez, ao encontrar por acaso o gato na rua, o rato começou a rir de uma maneira desenfreada, daquela aparência tão diferente e considerada por muitos como grotesca do felino, não respeitando em nenhum momento sobre o que tudo aquilo poderia causar a quem estivesse ouvindo e sendo vítima de todo aquele preconceito.

O gato ouvia tudo aquilo calado e chorava baixo, sem ninguém ver ou perceber suas lágrimas rolarem aos poucos pela sua face.

De repente, de uma maneira totalmente indisciplinada, grosseira, sem respeitar os defeitos físicos alheios, o rato Florisbelo começou utilizar palavras de baixo índice e calão, vulgaridade para se referirem e humilharem o pobre gato Gabiru:

— Gato, que horrendo tu és. Tens a aparência do mais horrível dos monstros. Tu assustas todos aqueles que passam ou caminham ao seu redor. Muitos o julgam, abominam e o repudiam sem mesmo antes de conhecê-lo ou até mesmo sem mesmo conversar contigo.

Mesmo vendo que o gato se entristecia com cada palavra de mau trato dita, o rato não parou e continuou pois se sentia bem vendo o sofrimento do felino e decidiu dar continuidade dizendo:

—Olhe para minha aparência e verás que minhas qualidades são vistas e admiradas por todos. Sou tão perfeito como um deus grego, um anjo. Pareço ter sido esculpido por Deus e os anjos nos mínimos detalhes, com os melhores e mais preciosos tipos de materiais. Minha maior prioridade é cuidar da minha parte estética, do meu corpo, para que não fique doente. Já sua aparência sempre foi motivo de risos entre todos os moradores e também até entre aqueles que dizem serem “os seus melhores amigos”.

Ao escutar todos aqueles desaforos, o gato decidiu dar as costas ao pequeno roedor sem nada falar. Ele ficava cada vez mais triste a cada momento que ouvia aquelas palavras ditas pelo rato ao mesmo tempo tão horríveis e que feriam de uma maneira tão profunda. Mas apesar de tudo sempre se mostrou forte e nunca guardou rancor daquela pequena criatura. Saiu sem derramar uma lágrima com todos os desaforos ouvidos.

O gato, mesmo com toda sua feiura, apresentava um lar para morar e também uma família que realmente o amava da maneira como ele realmente era, não se importavam com sua aparência grotesca, bizarra. Isso fazia com que Gabiru tirasse forças dentro de si, dos lugares mais incríveis, inimagináveis, nunca sonhados jamais, para sobreviver, pois se não fosse o amor e todos os sentimentos de, não somente sua família adotiva, mas também todos que o amavam, compreendiam e o aceitavam pela maneira como ele realmente era os braços frios da Morte já tinham vindo abraçar aquele corpo tão grotesco e deformado.

Certa vez, deitado em sua simples, mas aconchegante cama construída a base de palha, Gabiru ouviu uma fina voz, na qual parecia soar um pouco conhecida, gritar desesperadamente por socorro. Tomado por uma imensa curiosidade, decidiu levantar e ver o que estava realmente acontecendo naquele horário e do lado de fora da casa e quais os motivos que levaram alguém gritar de uma maneira tão frenética, repetida, implorando por ajuda.

O pequeno roedor, conhecido pelo nome de Florisbelo, que se considerava o mais belo e perfeito entre todos os camundongos, se encontrava nesse momento cercado de gatos completamente famintos. O rato gritava, implorava, suplicava desesperadamente para que Gabiru o ajudasse a sair daquela armadilha preparada, minuciosamente, por todos aqueles gatos vorazes, que tinham a intenção de conseguir algo que ajudasse pôr um fim a toda àquela fome felina que os angustiavam. Seus estômagos emitiam sons grotescos, assustadores de fome que podiam ser ouvidos mesmo por aqueles que estivessem mais longe. Mesmo olhando mais nitidamente, profundamente seus olhos, conseguia se perceber mais ou menos quanto tempo pareciam estar sem se alimentarem. 

Ao ouvir Florisbelo gritar por ajuda, Gabiru então respondeu:

— Rato Florisbelo, lembra-se de todas as humilhações que tu fizestes várias vezes em minha vida eu passar? Das várias, diversas coisas horrendas que tu falaste para me humilhar? Nunca, jamais deu algum tipo de importância a meus sentimentos ou como poderia me sentir com palavras tão horrendas, grotescas e quais tipos de proporções que elas causariam.

Vendo que Gabiru se sentia triste com as todas aquelas palavras com grau de humilhação, Florisbelo disse:

—Gabiru sinto que você ainda não conseguiu decifrar e entender o verdadeiro significado, sentido e a força das minhas palavras. Disse tudo àquilo para esconder meus mais profundos e verdadeiros sentimentos por ti. Você pode ter uma aparência horrenda, grotesca, ser humilhado por grande parte dos que estão ao seu redor, de não o aceitarem na sociedade pela sua aparência, e devido a este fato muitos o abominarem, discriminarem, fazendo muitas vezes, vermos quais os principais e verdadeiros problemas sociológicos que ainda assolam nossa sociedade. Mas o que eu realmente amo não é apenas sua imagem na qual muitos veem constantemente, mas sim o que diversas pessoas não conseguem ver como seus sentimentos, sua pureza e a grandeza de seu coração.

Vendo que Gabiru se emocionava, mas desta vez de alegria, com todas as palavras que estavam sendo ditas naquele momento, o roedor ainda continuou expondo todo seu sentimento em relação a Gabiru:

— Gato, meu amor por você parece ser infinito, não ter limite, conseguir vencer todas as barreiras. Tu és mais belo que todos da sua raça. Quem tenta de todas as maneiras humilhar-lhe não consegue ver e entender que a verdadeira beleza é invisível aos olhos de quem realmente não quer ver.

Gabiru, comovido com todas tocantes, sentimentais palavras de amor de Florisbelo, decidiu, então, ajudá-lo e conseguiu, assim, livrá-lo de toda aquela armadilha criada por todos aqueles inúmeros gatos. Então, o camundongo em sinal de agradecimento ao gato pelo salvamento oferecido naquele momento disse:

— Felino, meu amor. Vejo que tu defendeste minha vida de por outros da sua mesma espécie ser consumido. Tu me salvaste também não somente pelas lindas palavras de amor que a ti dissestes, mas também pelo grande afeto, paixão, ternura, amor entre outros inúmeros sentimentos que tu tens, guardas por mim e não consegue demonstrar por ainda sentires vergonha e me desprezares pela minha horrenda aparência. Esqueça os comentários alheios em relação ao meu aspecto e me ame de uma maneira mais adequada, apropriada, com sua alma, seus sentimentos. O verdadeiro amor é como o universo. Em outras palavras, não tem fim, vai mais além do que os olhos alcançam.

Então o gato ao roedor respondeu:

— Meu amor! Quero que tu saibas que sempre o amei, desde nosso primeiro encontro, o dia, lugar e momento em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Mas por você ser tão belo, ter uma aparência tão irradiante, ser muitas vezes esnobe e eu aparentar uma imagem tão grotesca, horrenda, nunca tive coragem suficiente, necessária para expor todos os meus sentimentos e seus significados por ti, que ficaram guardados sempre a sete chaves, sem a ninguém expor, pois meu maior medo, também, era ser rejeitado, esnobado por você. Hoje realmente posso dizer a muitas pessoas o quanto eu realmente o amo e qual a força, profundidade e grandeza de todo este amor.

Deste dia em diante, quando passaram a se conhecerem de uma maneira mais próxima, íntima e melhor, o gato Gabiru e o rato Florisbelo iniciaram uma linda história de amor sem se importarem com as inúmeras coisas que muitos faziam, criavam, diziam para fazer com que o grande, forte, incessante, infinito amor, aquela linda história de uma tórrida paixão tivesse um fim como de algumas novelas, bastante trágico.

O verdadeiro amor não tem fronteiras. Quando ele chega, derruba inúmeras barreiras e conquista até aqueles com o coração mais duro e cruel. Conseguem até ver a verdadeira beleza onde os olhos muitas vezes não percebem.

E para finalizar toda a conversa, Gabiru disse a Florisbelo:

— Florisbelo, meu amor! Sou muito feliz por poder te amar e sentir que tu correspondes a todo esse meu sentimento. Por Deus ter colocado alguém tão especial como você em minha vida tão sofrida e que me ama, respeita pelo que sou, pelos meus sentimentos, defeitos e qualidades. Espero esse profundo afeto nunca acabar, pois se isso um dia acontecer acho que não irei conseguir neste mundo mais sobreviver.

Então Florisbelo a todas aquelas palavras dramáticas de amor de Gabiru respondeu:

— Meu amor, tenho muitas coisas para falar a você. Primeiramente, quero que escute algumas coisas que tenho do fundo do meu coração e da minha alma, a dizer:

— Meu profundo sentimento por você nunca vai acabar. Sou capaz de todo este mundo por você e seu amor enfrentar e nada nesta vida me fará parar de te amar. Mesmo após nossa morte, eu sei que em algum lugar nós iremos um dia nos encontrarmos, pois Deus sabe que nosso amor nunca irá cessar. Pois sei que todo sentimento verdadeiro nem o tempo consegue apagar e muito menos os invejosos, maléficos, pobres de alma e sentimentos conseguem fazer ou criar algo para nosso lindo amor terminar.

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      A s poesias e as letras de músicas me acompanham desde o início da adolescência, quando os sonhos se ebuliam na minha mente. Eram os s...