segunda-feira, 18 de maio de 2020

O RATO QUE AMAVA O GATO


         Era uma vez, em uma ilha muito além dos confins do horizonte, mais longe que a vista podia alcançar um pequeno reino com várias características esquisitas e diferentes chamado Esdrúxulândia. Conhecido por muitos não somente pelas suas grandes belezas, riquezas, mas também pelo diferente e inúmero tipo de moradores com características, peculiaridades, diversidades, em relação ao estereótipo, à forma física, era definido como um local de grandes e inúmeros tipos de particularidades nas quais ninguém havia conseguido descrever sobre o verdadeiro surgimento, pois sua existência e origem eram únicas.

Muitos moradores se questionavam se tudo aquilo poderia ter sido um castigo destinado a alguns deles, pois nem todos apresentavam formas diferentes, grotescas, para pagarem por pecados cometidos durante a vida, e que muitas das deformidades dos moradores atuais fossem reflexos de algum tipo de maldade realizada por seus antepassados.

O reino era governado por um casal que eram ambos muito arrogantes, mesquinhos e totalmente maléficos com todos os moradores do império. Ambos tinham um sonho em comum: desejavam muito ter um bebê.

Muitos diziam que a falta de filhos era consequência das diversas maldades que ambos os governantes costumavam praticar. Escravidão, exploração de trabalho, falta de pagamento eram algumas coisas maléficas nas quais eles costumavam fazer com os moradores do local.
Mesmo tentando de todas as maneiras, usando diversos métodos para terem seu sonho realizado, as diversas tentativas foram em vão.

Dois bruxos, casados há milênios e muito bondosos, vendo toda a maldade praticada no reino, decidiram se passarem como moradores de Esdruxulândia.

O casal de bruxos para não serem reconhecidos tiveram uma excelente ideia: se fantasiarem como mãe e filho. Ao baterem na porta para pedirem por ajuda, criaram uma história para explicar o motivo de estarem ali naquele exato momento e que ninguém desconfiasse.

A mãe da criança, com muitas lágrimas nos olhos e voz soluçante, disse ao rei e rainha:

— Fomos abandonados de uma maneira sem explicação pelo meu marido e pai da criança. Ele era um sujeito sem índole, violento, cruel, desrespeitador. Eu e meu filho passamos por diversos tipos de abusos, atrocidades, fomos diversas vezes violentados. Eu era restrita de sair de casa com meu rebento, fazer denúncias, procurar meus direitos como mãe e esposa.

―Não possuía condições financeiras apropriadas para contratar um advogado para exigir separação, pois ele sonegou todos os nossos bens conquistados durante nosso casamento sendo que grande parte deles foi obtido devido ao meu trabalho. Ele não era adepto das tarefas diárias e costumava realizar vários tipos de ameaças envolvendo eu e meu filho alegando que caso fizesse algum tipo de denúncia envolvendo o nome dele na justiça, seríamos vítimas de mutilação.

—Não aguentava mais ser vítima de tamanha violência. Todas as marcas horríveis no meu corpo e do meu filho são frutos do que aquele homem, com toda sua crueldade fez conosco utilizando todo tipo de agressão, brutalidade. Houve momentos no qual pedíamos a Deus para não nos deixar mais passar por toda aquela aflição brutal e psicológica e nos levar para morarmos juntos Dele e acabar com todo nosso sofrimento. 

—Peço apenas que tenha um pouco de compaixão minha e de meu pequeno e amado filho e supra nossa fome apenas com um pouco de seu farto alimento e permita que permaneçamos num local do castelo para que possamos nos esquentar e acabar com nosso frio acarretado por esta incessante chuva. Apenas um dia de moradia no castelo, uma noite de sono para podermos descansar será o suficiente para que não nos tornemos vítimas de algum tipo de doença.

Vendo sua grotesca, horrenda aparência, ambos os governantes trataram os dois visitantes da pior maneira possível. Pediram aos guardas reais para enxotá-los. Decidiram fazer com que e batessem naquela família de mãe e filho compulsivamente sem nenhum tipo de dó. Os reis diziam que o castelo era local para ser frequentado pela estirpe, por pessoas de alto calão, que possuíssem “sangue azul” nas veias. E concluíram dizendo:

— Só não mandamos tirar a sua velha vida e de seu filho por não fazermos e nem permitirmos que nossos guardas reais pratiquem este tipo de atrocidade. A morte é algo nesta vida na qual não somos adeptos.

Vendo que ambos os governantes tinham grande maldade na alma e no coração, voltaram a forma real de marido e mulher e jogaram uma maldição no casal real. Os bruxos disseram:

—Por apresentarem tamanha maldade e nenhum tipo de bondade dentro de si, passarão deste dia até melhorarem ambos os comportamentos por uma maldição como prova. Serão privados de não terem filhos. Esta praga será apenas finalizada no dia que o reino for tomado novamente de grande alegria, os moradores serem tratados de uma maneira mais benevolente, apropriada, não serem vítimas de trabalhos escravistas, violentos, jamais houver algum tipo maldade no coração e alma do casal real. Após jogar a maldição, o casal de bruxos desapareceu tão rápido como surgiram.

O casal real, devido a maldição, passaram a sofrer muito por não poderem ter mais filhos e por isso eram tomados por diversos tipos de problemas pessoais como, por exemplo, grande e diária tristeza seguida por uma profunda depressão.

O reino era habitado por animais, pessoas e plantas que falavam, raciocinavam, utilizavam vários tipos de termos, idiomas, linguagens para se comunicarem, trocarem conhecimentos, experiências, histórias de vida e até mesmo expressarem seus mais profundos sentimentos não somente entre os diferenciados moradores mas também os inúmeros tipos de visitantes que costumavam aquele império visitar.

Mesmo sendo considerados, definidos por muitos como aberrações por terem sido frutos, resultados de experiências mal sucedidas por apresentarem corpo de um ser vivo e cabeça de outro, alguns dos habitantes do reino se auto definiam como seres-vivos felizes e não se importavam com as opiniões alheias. O que mais importava eram os diferentes tipos de sentimentos que muitos tinham um pelo outro.

Muitos que conheciam o reino apenas através das definições e descrições alheias, costumavam utilizar diferentes tipos de termos, adjetivos pejorativos, como por exemplo, a palavra estrambótica para definir as diferentes coisas horrendas no qual o reino possuía. 

Neste reino vivia um gato que, além de possuir uma aparência muito distinta a dos outros felinos, possuía um nome muito incomum. Assim que nasceu e sua família se deparou com todas as suas deformidades, defeitos e nenhuma beleza, decidiram dar o nome daquela horrenda criatura de “Gabiru”.

Após o nascimento, Gabiru foi desprezado, discriminado, humilhado por apresentar diferenças incomuns entre os seis irmãos felinos e não possuir nenhum tipo de beleza. Sua mãe e família o definiram como sendo uma experiência mal sucedida da natureza e para suprir todo aquele descontentamento decidiram colocar o próprio filho para adoção.

Mas por todas suas inúmeras deformidades, ele sofreu vários tipos de discriminações, rejeições pelos diversos tipos de pais adotivos e, desta maneira, não foi aceito por eles para ser adotado.

Muitos chegavam a questionar o local de adoção se a criança era vítima de algum tipo de problema de saúde contagiosa, algo que o levasse a falecer futuramente, quanto tempo de vida ele ainda possuía e quais os motivos que deixaram aqueles vários tipos de sequelas no corpo do gato. Eram coisas nas quais nenhum tipo de especialista tinha conseguido explicar até aquele momento.

Durante as primeiras visitas, ao verem que o pequeno e grotesco felino Gabiru não apresentava nenhuma beleza fisionômica, muitos se assustavam com toda sua aparência grotesca e devido a isso era rejeitado logo no princípio, não tendo direito a uma segunda visita devido à falta de interesse dos adotantes.

Muitos locais ao se depararem com a horrenda fisionomia de Gabiru inventavam diversos tipos de desculpas como crise econômica relacionada à falta de dinheiro para manter o funcionamento do lugar falta, de alimento apropriado e necessário para manter todos que estavam ali.  

Alegavam também que o ambiente possuía crianças e adolescentes em demasia para adoção e que não comportava mais uma pessoa para ser adotada. Diziam que a fila de espera para adoção crescia cotidianamente e que as crianças que muitos exigiam para adotarem deveriam ter idades inferiores e não compatíveis com a de Gabiru que no momento ainda era recém-nascido mas apresentava uma fisionomia de alguém mais velho.

Após muitas desculpas e faltas de interesses das pessoas e dos locais de adoção de crianças e adolescentes, a família desistiu colocar Gabiru para adoção e o criaram até o início de sua pré-adolescência quando desistiram de conviverem com o bichano e o jogaram, abandonaram ao relento, vítima da violência, atrocidade diária dos grandes locais e também das diversas, inúmeras incompreensões humanas.

Decidiram, desta maneira, colocar o infeliz bichano ao frio e triste relento fazendo com que Deus se incumbisse da sobrevivência diária do mal-amado e maltratado felino.

Apesar de ser um gato, todos deram o nome ao bichano de Gabiru, nome utilizado no dicionário para definir um peculiar tipo de rato grande no qual possui quase o tamanho de um felino.

Esta qualificação do nome também foi escolhida por todos para definir detalhadamente seu estereótipo, aspecto fisionômico, sua aparência totalmente deformada no qual além de ser diferente era totalmente grotesca. O nome do felino apresentavam outras características. Tem como verdadeiro significado, alguém esperto, astuto, matreiro, malandro, conquistador, mulherengo, características nas quais ele não apresentava.

Ele era o mais novo de uma família de sete irmãos sendo eles todos homens. Assim que nasceu, passou a ser desprezado, humilhado, discriminado não somente por toda sua família, mãe, pai, irmãos e antigos donos, mas por todos aqueles que o cercavam e viviam naquele reino pois era o único entre seus irmãos que apresentava uma aparência considerada por todos como grotesca, medonha, assustadora.

Após seu nascimento, ao se depararem pela primeira vez com aquele animal tão diferente dos demais, tendo aquela aparência considerada por muitos como assustadora, grotesca, que lembrava a de um verdadeiro monstro, seus antigos donos e familiares decidiram jogá-lo, abandoná-lo pelas ruas do reino sem nenhum sentimento de pena, como algo inutilizável, como um saco de entulhos sem valor.

Ambas as famílias, tanto a verdadeira quanto a adotiva, ao verem aquela imagem tão aterradora, tenebrosa, tétrica, medonha, muitas vezes pensaram em cometer diversos tipos de atrocidades com o pequeno recém – nascido gato Gabiru.

Durante sua vida, ele, então, passou a morar cada dia em um canto do reino, enfrentar todos os momentos um tipo de problema e inúmeras necessidades. Mas mesmo assim sempre se mostrou forte diante às inúmeras, incontáveis dificuldades. Sua força, persistência e otimismo foram algumas das fontes que o levaram a nunca desanimar e deixar de lutar pela vida. Sua grande fé também foi um forte motivo, um grande escudo que o protegeu contra todo tipo de sentimento negativo não permitindo que nada ou ninguém o abatesse.

O tempo foi passando e os traços físicos do gato foram se transformando, deixando o felino cada vez mais assustador. Ele sofria cada vez mais para conseguir alimentos que pudessem ainda ser aproveitados e que conseguissem acabar com sua fome.

Gabiru, andando solitário e faminto pelos becos, chegou a se questionar inúmeras vezes sobre como conseguiu sobreviver, abandonado e esquecido e também como chegou a passar numerosos dias sentindo tão grande falta de alimentos que o ajudassem superar seu imensurável apetite. Por que as pessoas possuem um coração tão rígido, sólido como uma rocha, são assim tão maldosos a chegarem a tal ponto de julgar alguém sem antes conhecer pessoalmente? Será que muitos desconhecem, ignoram o fato que durante inúmeras vezes a verdadeira imagem está invisível aos nossos olhos, ou seja, apenas conhecemos realmente a pessoa através da convivência diária? Em outras palavras, será que vemos apenas o que realmente nossos olhos desejam ver? Que o real apenas é visto com o coração, pois é nele que persistem em manter moradia os incontáveis sentimentos? O restante está obscuro, escondido para uma análise mais detalhada e profunda, se perguntou de uma maneira mais filosófica e detalhista o Gato Gabiru.

Outros tipos de dificuldades enfrentadas por Gabiru durante sua vida sofrida caminhando pelos becos dos inúmeros reinos que ele destinava a caminhar eram o frio diário, aumento da violência e drogas, solidão e lidava com uma grande crise de depressão devido a todos os problemas que enfrentava, pois tentou em diversas vezes tirar sua própria vida, acabar definitivamente com o seu sentido de viver.

Teve várias vezes vontade de ter um amigo verdadeiro, alguém que pudesse conversar e confiar seus mais profundos segredos, compartilhar todas as suas histórias. Mas sempre foi esnobado, sofria vários tipos de preconceitos por ser diferente dos demais, possuir uma aparência considerada por todos, tão grotesca, horrenda e que muitos denominavam mórbida devido ao fato dele passar fome em demasia e suas características físicas serem semelhantes a de uma caveira, um esqueleto.

Também foi vítima de muita violência nas ruas frias, violentas e escuras, iluminadas raramente pelas estrelas e a lua, por onde transitava sempre sozinho. Ao se depararem com Gabiru, com um aspecto todo deformado, muitas pessoas que o viam perambulando sem rumo acreditavam que alguns dos problemas em seu aspecto físico eram devido aos inúmeros tipos de selvagerias, brutalidades que ele sofreu.

As pessoas acompanhavam de perto toda a selvageria no qual o gato foi submetido, como algum tipo de espetáculo de horror, sem fazer nada para impedir toda aquela atrocidade, pois todo aquele tipo diferenciado de brutalidade costumava chamar muito a atenção pelos diversos tipos de atos medonhos, maldosos, o uso excessivo, em grande escala de força física que realizavam com o pobre e infeliz bichano.

Muitos riam e até aplaudiam achando que tudo aquilo, todo aquele sofrimento fazia parte de algum tipo de apresentação pública gratuita. Seu miado lembrava um grito clamando ajuda, ecoando ao vento por todos os cantos da cidade, exprimindo toda a dor sentida por ele durante aquela agressão sem sentido no qual ele sempre foi vítima.

Enfrentou também a grande falta de solidariedade das pessoas em relação ao que é considerado diferente, pois elas não possuíam nenhum tipo de sentimento puro e verdadeiro para ajudá-lo naqueles momentos tão difíceis. Pensavam apenas em si e nunca nos interesses, benefícios e necessidades de seus semelhantes. Eram totalmente egoístas e egocêntricos. Ele definia a alma de tais pessoas como uma aparência mais grotesca que sua própria fisionomia.

Devido a seu aspecto mais que diferente do que costumava ser convencional no reino onde morava, Gabiru, então, passou a sofrer muito com os diversos tipos de preconceitos. Ele via que o que realmente as pessoas admiravam, idolatravam era a parte estética, física, da beleza e não o sentimental e o nosso lado interior. Ele definia cada ser - humano ao seu redor como um produto exposto numa vitrine e que esteja à venda onde o que mais costuma fazer sucesso é aquele que apresenta melhor embalagem e preço.

Muitas pessoas o julgavam como um ser de outro mundo. Outros achavam que foi uma experiência mal sucedida. Ele era um gato que possuía características muito destacadas e distintas dos demais da sua espécie. Seu pelo possuía inúmeras imperfeições. Diziam que ele já estava ficando calvo e muitos achavam que ele possuía algum tipo de doença contagiosa por apresentar aquela aparência.

Mas não era somente esta característica que chamava a atenção dos moradores de todo o reino. Ele era totalmente curvado, corcunda. Muitos diziam que suas costas lembravam as corcovas de um camelo ou até mesmo de um dromedário. Outros diziam que suas costas lembravam um escorregador de um parque infantil pelo fato dela possuir um formato tão côncavo.

Os olhos possuíam colorações desiguais, um verde e outro que lembrava a cor de uma flor, ou seja totalmente violeta, puxado um pouco para a tonalidade do púrpuro. Além disso, era totalmente caolho, estrábico, enxergava tudo de uma maneira totalmente torta, distorcida.

Muitos faziam comentários maldosos relacionados à sua maneira de olhar, distinguir as coisas ao seu redor. Diziam que ele tinha um olho no peixe e outro no rato. Que seus olhos e seus óculos lembravam, em uso conjunto, uma estrada durante a noite com vários caminhões e ônibus trafegando incessantemente. Usava óculos que cobria quase toda sua face. As lentes eram tão amplas, medonhas, grotescas, descomunais que chegavam até a lembrar do tamanho de um binóculo.

Mas para melhorar sua maneira de enxergar coisas e pessoas que ele nunca teve oportunidade um dia ver, ele decidiu optar pelo uso diário de óculos. Recorreu a isso por grande necessidade e não por simples brincadeira, ou seja, decidiu colocar para melhorar a visão dos objetos ou pessoas que estavam próximas ou a uma grande distância.

Muitos faziam diversos tipos de brincadeiras mal-intencionadas com o problema das muitas dificuldades dele para enxergar, de ver tudo de uma maneira toda distorcida, alterada.

As pessoas costumavam inventar diversos tipos de histórias maliciosas, sem nenhum tipo de dó ou até mesmo piedade e compaixão, piadas sem nenhum tom de graça para se referirem ao problema de visão que o bichano enfrentava.

Diziam que, o fato dele possuir este tipo de complicação, de seus olhos serem diferentes, sua visão ser totalmente distorcida, fazia com que ele também tivesse um olho no peixe e o outro no rato. Isso muitas vezes o deixava cabisbaixo, triste, depressivo.

Gabiru ainda tinha outros problemas físicos em seu corpo como os de suas duas orelhas e o do seu rabo. Eram danos estéticos visíveis duradouros e que também causavam constrangimento, vergonha, sofrimento a ele. Em outras palavras, possuíam tamanhos distintos sendo que uma delas quase não aparecia em sua cabeça por ser tão pequena. A outra possuía um grande formato no qual lembrava longas mechas de cabelos. Em outras palavras, eram diferentes do convencional, fora da proporção correta e do comum. O fato de possuir ouvidos com deformidades, ou seja, uma delas era maior que a outra ele, fazia com que o gato enfrentasse muitos tipos de problemas para ouvir os diversos tipos de sons ao seu redor.

Muitos ainda diziam que o formato do seu corpo era de uma bola de praia enfeitada. Este comentário se dava ao fato do seu peso estar acima do normal. Mas a consequência dele estar gordo não era pelo fato dele comer muito após passar alguns dias enfrentando a fome, quando encontrava alimento, comia sem parar.
Outra coisa que falavam do corpo de Gabiru era o fato dele ter nascido com um nariz que mais lembrava uma cenoura não pela cor e sim pelo comprimento: muito grande e comprido. Todos sabiam que gatos nasciam com narizes pequenos, delicados, normais. Mas os diversos tipos de comentários começaram no momento que todos viram e se depararam pela primeira vez, com aquela aberração, como costumavam defini-lo e chamá-lo, perambulando pelas ruas do reino.

Seu nariz era muito avantajado, fora do comum. Outra coisa que os moradores do reino acreditavam era o fato de que caso o pequeno e esquisito bichano mentisse, seu nariz iria mudar no formato, ou seja, tanto em tamanho como em largura. 

Além disso, ele ainda nasceu com uma terrível dificuldade para se movimentar e costumava mancar constantemente, ou seja, era um ato que se repetia regularmente e com grande frequência. Entre todas as suas quatro patas, ele mancava apenas com duas delas, sendo que os dois defeitos encontrados em suas pernas faziam parte de lados diferentes do seu corpo: uma era na parte direita da frente e a outra no lado esquerdo de trás.

Para evitar a colisão diária do seu corpo com o chão, os moradores decidiram, então, amarrar pedaços cortados de madeiras como principal fonte de apoio, sustentação, com a finalidade de substituir as partes das pernas que, desde seu nascimento, faltavam em seu corpo. Desde esse dia, que parte de suas patas foi substituída por pedaços de madeira com intuito de ajudá-lo durante sua caminhada pelos diversos lugares, ele começou a andar melhor. Mas continuou ainda sendo motivo de risos, chacotas de todos os moradores do reino.

Mas, apesar de todas as suas características físicas que as pessoas avaliavam e julgavam serem, além de diferentes, também fora do normal, os moradores ainda consideravam sua aparência como medonha. Muitos descreviam e comparavam sua aparência a de personagens grotescos de filmes de terror.

Apesar de todas as críticas e observações maldosas realizadas pelas pessoas, Gabiru se definia um gato romântico, carinhoso, com alma pura, apaixonado pela vida. Costumava visitar diariamente a pequena paróquia que o reino possuía. Em todas as suas preces cotidianas sempre pedia a Deus que encontrasse uma família que o adotasse, o amasse, aceitasse da maneira como foi colocado por Ele no mundo, pois sabia e acreditava que ele possuía aquela aparência horrível, medonha, assustadora, não era por acaso.

Após pedir encarecidamente por uma família que o amasse, entendesse, estivesse ao seu lado em todos os momentos, suas preces foram atendidas. Ele passou, então, a morar em uma casa muito pequena e simples, junto com uma família muito humilde. Gabiru era funcionário adepto, assíduo do castelo real de Esdruxulândia. Foi contratado após passar por uma intensa entrevista de emprego, concorrendo a uma vaga com muitas pessoas.

O casal real tratava o felino como verdadeiro filho, mesmo vendo que ele possuía uma aparência deformada, eles o amavam por sua bondade, caridade e também por nunca terem os abandonado mesmo nos momentos mais difíceis que ainda passavam de tristeza e depressão por não poderem ter filhos. Tudo isso era reflexo da maldição lançada pelo casal de bruxos no rei e rainha pelas maldades que costumavam praticar. Chegaram a pedir diversas vezes que ele fosse desfrutar das regalias que o reinado possuía e que se tornasse filho de ambos. 

Mas o gato se desculpou diante ao rei e rainha e alegou preferir a vida calma e simples que possuía com seus pais adotivos que sempre o amaram, batalharam pela sua sobrevivência, nunca deixaram nada ao bichano faltar e, segundo ele, este amor era a maior das riquezas que qualquer um pudesse lhe dar.

Mas após uma longa conversa e terem mudado o comportamento diante seus súditos, a rainha começou a notar uma mudança em seu corpo e percebeu que a maldição lançada no casal pelos bruxos já não existia mais. Após alguns meses foram presenteados com o nascimento de um filho, pois foi constatado que os imperadores começaram a tratar todos os moradores do reino de maneira mais apropriada, adequada, sem exploração, melhor fazendo com que houvesse uma mudança positiva em todo o reinado.

O felino ficou feliz com a notícia do nascimento da criança e que o casal real já não era mais vítima da maldição dos bruxos. O gato dizia que apesar de todos os males, o rei e a rainha faziam parte do seu circulo de amizades e que nunca o julgaram pela sua grotesca aparência e deram oportunidades empregatícias quando ele mais necessitou, escutavam calmamente as palavras contendo diferentes tipos de conselhos inteligentes, analíticos, sinceros, perspicazes, construtivos.

Mas o grande sonho de Gabiru era possuir um amigo verdadeiro, coisa na qual naquele lugar era totalmente impossível. Ele dizia que seu único e verdadeiro amigo no qual pode confiar em todos os momentos, sem cessar ou correr o risco de abandoná-lo, sempre foi Deus. Ele considerava aquela amizade algo verdadeiro, pois sempre pode conversar e confiar todos os seus segredos sem ter o risco de contar a ninguém. E o retorno ás suas perguntas podiam demorar algum tempo, mas sempre apareciam com uma resposta muito inteligente e que pudessem ajudar em todos os momentos da minha vida.

Nesta mesma casa, morava também um pequeno rato conhecido por todos pelo nome de “Florisbelo” no qual também era conhecido pelos amigos mais íntimos e próximos pelo carinhoso apelido de “Belo”. Era um ratinho esnobe além de se julgar o mais perfeito das espécies. Adorava cuidar do corpo, era narcisista, além de amar passar muito tempo diante do espelho sempre fazendo a mesma pergunta e esperando uma resposta que nunca chegava aos seus ouvidos:

— Espelho, espelho meu, será que neste mundo há um rato mais belo, gostoso e perfeito do que eu?

Certa vez, ao encontrar por acaso o gato na rua, o rato começou a rir de uma maneira desenfreada, daquela aparência tão diferente e considerada por muitos como grotesca do felino, não respeitando em nenhum momento sobre o que tudo aquilo poderia causar a quem estivesse ouvindo e sendo vítima de todo aquele preconceito.

O gato ouvia tudo aquilo calado e chorava baixo, sem ninguém ver ou perceber suas lágrimas rolarem aos poucos pela sua face.

De repente, de uma maneira totalmente indisciplinada, grosseira, sem respeitar os defeitos físicos alheios, o rato Florisbelo começou utilizar palavras de baixo índice e calão, vulgaridade para se referirem e humilharem o pobre gato Gabiru:

— Gato, que horrendo tu és. Tens a aparência do mais horrível dos monstros. Tu assustas todos aqueles que passam ou caminham ao seu redor. Muitos o julgam, abominam e o repudiam sem mesmo antes de conhecê-lo ou até mesmo sem mesmo conversar contigo.

Mesmo vendo que o gato se entristecia com cada palavra de mau trato dita, o rato não parou e continuou pois se sentia bem vendo o sofrimento do felino e decidiu dar continuidade dizendo:

—Olhe para minha aparência e verás que minhas qualidades são vistas e admiradas por todos. Sou tão perfeito como um deus grego, um anjo. Pareço ter sido esculpido por Deus e os anjos nos mínimos detalhes, com os melhores e mais preciosos tipos de materiais. Minha maior prioridade é cuidar da minha parte estética, do meu corpo, para que não fique doente. Já sua aparência sempre foi motivo de risos entre todos os moradores e também até entre aqueles que dizem serem “os seus melhores amigos”.

Ao escutar todos aqueles desaforos, o gato decidiu dar as costas ao pequeno roedor sem nada falar. Ele ficava cada vez mais triste a cada momento que ouvia aquelas palavras ditas pelo rato ao mesmo tempo tão horríveis e que feriam de uma maneira tão profunda. Mas apesar de tudo sempre se mostrou forte e nunca guardou rancor daquela pequena criatura. Saiu sem derramar uma lágrima com todos os desaforos ouvidos.

O gato, mesmo com toda sua feiura, apresentava um lar para morar e também uma família que realmente o amava da maneira como ele realmente era, não se importavam com sua aparência grotesca, bizarra. Isso fazia com que Gabiru tirasse forças dentro de si, dos lugares mais incríveis, inimagináveis, nunca sonhados jamais, para sobreviver, pois se não fosse o amor e todos os sentimentos de, não somente sua família adotiva, mas também todos que o amavam, compreendiam e o aceitavam pela maneira como ele realmente era os braços frios da Morte já tinham vindo abraçar aquele corpo tão grotesco e deformado.

Certa vez, deitado em sua simples, mas aconchegante cama construída a base de palha, Gabiru ouviu uma fina voz, na qual parecia soar um pouco conhecida, gritar desesperadamente por socorro. Tomado por uma imensa curiosidade, decidiu levantar e ver o que estava realmente acontecendo naquele horário e do lado de fora da casa e quais os motivos que levaram alguém gritar de uma maneira tão frenética, repetida, implorando por ajuda.

O pequeno roedor, conhecido pelo nome de Florisbelo, que se considerava o mais belo e perfeito entre todos os camundongos, se encontrava nesse momento cercado de gatos completamente famintos. O rato gritava, implorava, suplicava desesperadamente para que Gabiru o ajudasse a sair daquela armadilha preparada, minuciosamente, por todos aqueles gatos vorazes, que tinham a intenção de conseguir algo que ajudasse pôr um fim a toda àquela fome felina que os angustiavam. Seus estômagos emitiam sons grotescos, assustadores de fome que podiam ser ouvidos mesmo por aqueles que estivessem mais longe. Mesmo olhando mais nitidamente, profundamente seus olhos, conseguia se perceber mais ou menos quanto tempo pareciam estar sem se alimentarem. 

Ao ouvir Florisbelo gritar por ajuda, Gabiru então respondeu:

— Rato Florisbelo, lembra-se de todas as humilhações que tu fizestes várias vezes em minha vida eu passar? Das várias, diversas coisas horrendas que tu falaste para me humilhar? Nunca, jamais deu algum tipo de importância a meus sentimentos ou como poderia me sentir com palavras tão horrendas, grotescas e quais tipos de proporções que elas causariam.

Vendo que Gabiru se sentia triste com as todas aquelas palavras com grau de humilhação, Florisbelo disse:

—Gabiru sinto que você ainda não conseguiu decifrar e entender o verdadeiro significado, sentido e a força das minhas palavras. Disse tudo àquilo para esconder meus mais profundos e verdadeiros sentimentos por ti. Você pode ter uma aparência horrenda, grotesca, ser humilhado por grande parte dos que estão ao seu redor, de não o aceitarem na sociedade pela sua aparência, e devido a este fato muitos o abominarem, discriminarem, fazendo muitas vezes, vermos quais os principais e verdadeiros problemas sociológicos que ainda assolam nossa sociedade. Mas o que eu realmente amo não é apenas sua imagem na qual muitos veem constantemente, mas sim o que diversas pessoas não conseguem ver como seus sentimentos, sua pureza e a grandeza de seu coração.

Vendo que Gabiru se emocionava, mas desta vez de alegria, com todas as palavras que estavam sendo ditas naquele momento, o roedor ainda continuou expondo todo seu sentimento em relação a Gabiru:

— Gato, meu amor por você parece ser infinito, não ter limite, conseguir vencer todas as barreiras. Tu és mais belo que todos da sua raça. Quem tenta de todas as maneiras humilhar-lhe não consegue ver e entender que a verdadeira beleza é invisível aos olhos de quem realmente não quer ver.

Gabiru, comovido com todas tocantes, sentimentais palavras de amor de Florisbelo, decidiu, então, ajudá-lo e conseguiu, assim, livrá-lo de toda aquela armadilha criada por todos aqueles inúmeros gatos. Então, o camundongo em sinal de agradecimento ao gato pelo salvamento oferecido naquele momento disse:

— Felino, meu amor. Vejo que tu defendeste minha vida de por outros da sua mesma espécie ser consumido. Tu me salvaste também não somente pelas lindas palavras de amor que a ti dissestes, mas também pelo grande afeto, paixão, ternura, amor entre outros inúmeros sentimentos que tu tens, guardas por mim e não consegue demonstrar por ainda sentires vergonha e me desprezares pela minha horrenda aparência. Esqueça os comentários alheios em relação ao meu aspecto e me ame de uma maneira mais adequada, apropriada, com sua alma, seus sentimentos. O verdadeiro amor é como o universo. Em outras palavras, não tem fim, vai mais além do que os olhos alcançam.

Então o gato ao roedor respondeu:

— Meu amor! Quero que tu saibas que sempre o amei, desde nosso primeiro encontro, o dia, lugar e momento em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Mas por você ser tão belo, ter uma aparência tão irradiante, ser muitas vezes esnobe e eu aparentar uma imagem tão grotesca, horrenda, nunca tive coragem suficiente, necessária para expor todos os meus sentimentos e seus significados por ti, que ficaram guardados sempre a sete chaves, sem a ninguém expor, pois meu maior medo, também, era ser rejeitado, esnobado por você. Hoje realmente posso dizer a muitas pessoas o quanto eu realmente o amo e qual a força, profundidade e grandeza de todo este amor.

Deste dia em diante, quando passaram a se conhecerem de uma maneira mais próxima, íntima e melhor, o gato Gabiru e o rato Florisbelo iniciaram uma linda história de amor sem se importarem com as inúmeras coisas que muitos faziam, criavam, diziam para fazer com que o grande, forte, incessante, infinito amor, aquela linda história de uma tórrida paixão tivesse um fim como de algumas novelas, bastante trágico.

O verdadeiro amor não tem fronteiras. Quando ele chega, derruba inúmeras barreiras e conquista até aqueles com o coração mais duro e cruel. Conseguem até ver a verdadeira beleza onde os olhos muitas vezes não percebem.

E para finalizar toda a conversa, Gabiru disse a Florisbelo:

— Florisbelo, meu amor! Sou muito feliz por poder te amar e sentir que tu correspondes a todo esse meu sentimento. Por Deus ter colocado alguém tão especial como você em minha vida tão sofrida e que me ama, respeita pelo que sou, pelos meus sentimentos, defeitos e qualidades. Espero esse profundo afeto nunca acabar, pois se isso um dia acontecer acho que não irei conseguir neste mundo mais sobreviver.

Então Florisbelo a todas aquelas palavras dramáticas de amor de Gabiru respondeu:

— Meu amor, tenho muitas coisas para falar a você. Primeiramente, quero que escute algumas coisas que tenho do fundo do meu coração e da minha alma, a dizer:

— Meu profundo sentimento por você nunca vai acabar. Sou capaz de todo este mundo por você e seu amor enfrentar e nada nesta vida me fará parar de te amar. Mesmo após nossa morte, eu sei que em algum lugar nós iremos um dia nos encontrarmos, pois Deus sabe que nosso amor nunca irá cessar. Pois sei que todo sentimento verdadeiro nem o tempo consegue apagar e muito menos os invejosos, maléficos, pobres de alma e sentimentos conseguem fazer ou criar algo para nosso lindo amor terminar.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

LIBERDADE COMO O SOL A DESPONTAR


Sentimento, pensamento, muitos não sabem como usar,
Acham que o coração é um órgão que todos possuem, podem, conseguem controlar.
Muitos possuem um vazio em seu lugar e são frios quando nos sentimentos quando com alguém vão se relacionar.
Não conseguem seus sentimentos administrar ou com alguém compartilhar.
Sua vida sentimental parece uma nevasca cuja finalidade é o mundo emocional, sentimental torturar.
Por isso digo livre estou e ninguém jamais irá com seu coração sem sentimento outra vez me torturar.
Se existe alguém para que possa os seus sentimentos compartilhar
Se preferes seu coração tão sólido e frio por muito tempo perpetuar
Não me importo, pois no mundo sempre tem alguém que sabe os sentimentos valorizar
Prefiro ser livre ao invés de ter alguém cujo principal prazer é humilhar
Nesta vida prometi a mim mesmo conhecer primeiro antes de meus sentimentos demonstrar
Nunca verão por alguém insensível lágrimas como oceano dos meus olhos marejar
Liberdade é minha amiga pois soube do sofrimento me libertar
Não me arrependo por deixar para trás o passado e quem quis minha vida sentimental torturar
A vida continua devemos sempre aprender das quedas levantar
Saber que o mundo nunca deixou de girar,
Sem parar jamais em um único lugar
Devemos ser fortes e sabermos como tudo enfrentar
Jamais se arrepender de tudo que ficou para trás, que ria ao nos machucar
Sei que é tempo de mudar, jamais permitir novamente alguém de nós falar
Meus antigos medos e sofrimentos aprendi com a vida enfrentar
Prefiro a liberdade, ser um pássaro a voar,
Sem ter ninguém que deseje tudo em minha vida controlar
Permitir que o vento sopre intensamente sem nunca parar
E com toda sua força do mal e lamúria interminável e importuna possa me libertar
Quero pelo oceano inteiro velejar sem ninguém insensível a me esnobar
Olhar o céu azul intenso e os pássaros pelas nuvens brancas a voar
Ver o brilho intenso do Sol todo o planeta iluminar e grande calor lançar
Assistir cada fase da Lua junto às inúmeras estrelas com a tristeza acabar
Levar luz aos locais sentimentais mais obscuros que insistem perpetuar
E com a escuridão e toda dor da falta de amor ajudar a findar
Quero tudo experimentar, todos os meus limites desejo extrapolar
Aprendi a ser frio como a neve com quem jamais soube seu afeto por mim ostentar
Não sou escravo da paixão, falta de sentimentos aprendi a enfrentar
Consegui dentro de mim armamentos para falta de emoção alheia encarar
Livre eu estou e nunca mais por alguém sem sentimento me verão chorar
Sentimentos muitas vezes são puros podemos facilmente
mas muitos não possuem ou sabem
Muitos aprendem com a intensa dor uma pessoa amar. 

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      A s poesias e as letras de músicas me acompanham desde o início da adolescência, quando os sonhos se ebuliam na minha mente. Eram os s...